Críticas
CRÍTICA: A Caçada (2020)

Por Frederico Toscano *
Você deve ter ouvido falar de “A Caçada” (The Hunt). Era para ter saído em 2019, mas foi tanta polêmica que a estreia acabou não acontecendo. Agora o filme finalmente chega até o público, no meio da pandemia e fora dos cinemas. Traz a história de um grupo de pessoas que acorda no meio do mato e que passam a ser caçados como animais. Até aí, nenhuma novidade, a ideia é mais do que batida.

Desde o seminal The Most Dangerous Game (1932), passando pelo australiano (e brutal) Fortress (1985), o clássico de ficção científica estrelando Schwarzenegger The Running Man (1987), o japonês Battle Royale (2000), o sucesso Young Adult da franquia The Hunger Games (iniciado no cinema em 2012 e bem antes em livros) e muitos outros mais. Isso sem contar produções onde humanos são caçados por alienígenas/monstros, como a franquia Predador. E temos, claro, até mesmo um exemplo nacional e recente, o incensado filme pernambucano Bacurau, onde habitantes de uma cidadezinha no interior são caçados por gringos malvados.
Mas então, por que “A Caçada” chamou tanta atenção? É que, nesse filme, os caçadores impiedosos são membros da elite progressista (liberals é o termo mais usado, relacionado aos costumes, não ao posicionamento econômico, como ocorre no Brasil) americana, e as presas são conservadores, em uma fauna variada: donas-de-casa “pró-vida”, caipiras, negacionistas, conspiracionistas, armamentistas, militaristas e demais estereótipos.

Pois é. Até aí tudo bem. É uma obra de ficção, que claramente não se leva lá muito a sério, dentro do gênero do horror. A ideia, claro, é chocar mesmo. E tome gente morrendo de tudo que é jeito. No começo, o filme se diverte subvertendo as expectativas do público, matando todos os que parecem que vão emplacar como protagonistas. Enquanto os corpos vão se empilhando, é claro que um dos caçados vai se mostrar EXTREMAMENTE mais competente que os outros, teimando em sobreviver, começando a resistir e transformando caçadores em presa. Uma coisa meio Rambo: First Blood (sim, o primeirão, esse é o nome completo do filme, não “Rambo Um”, seus fariseus), enfim.
Nos EUA, A Caçada parece que conseguiu não agradar ninguém: Trump e os republicanos detestaram (e fizeram de tudo para melar o lançamento), talvez por medo que as pessoas assistissem e começassem a ter ideias. Democratas também odiaram, por motivos óbvios. No filme, caçadores e caçados são, quase todos, pessoas péssimas, independentemente de suas ideologias, então fica até difícil escolher um lado: vou torcer para os racistas e tiõzes homofóbicos que espalham fake news no whatsapp? Ou para os literalmente esquerdopatas, que se preocupam com apropriação cultural e em usar expressões livres de machismo enquanto desmembram pessoas?

No fim das contas, “A Caçada” não parece saber muito bem que tipo de mensagem política e/ou crítica social deseja passar, se é que deseja. É uma analogia meio abilolada da cultura do cancelamento? Uma tiração de onda com os conservadores que de fato acreditam que o mundo é dominado por uma elite progressista e politicamente correta? Uma crítica sincera à uma “esquerda festiva” e desconectada da realidade? Uma visão isentona da realidade atual, apontando o dedo para os que defendem um lado, igual ao seu primo chato que jura que votou em Amoedo no primeiro turno e nulo no segundo turno, mas que todos sabem que correu para apertar 17 em ambos os momentos?
Difícil dizer. Mas o filme tem uma sanguinolência honesta e alguns bons momentos de tensão e suspense.
Título original: The Hunt
Diretor: Craig Zobel
Roteiristas: Nick Cuse e Damon Lindelof
Elenco: Betty Gilpin, Hilary Swank, Ike Barinholtz, Emma Roberts e outros
País de origem: EUA
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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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Eu tenho um carinho especial por Until Dawn. Foi o game que me fez querer de fato um PlayStation 4. Tanto é que ganhei da minha irmã pouco antes de ter o console. E como sabem, slashers são minha paixão antiga. Com isso, a chance de moldar os eventos do game foi muito tentadora. O jogo é uma clássica história desse subgênero e no fim me diverti muito. E quando o filme foi anunciado, fiquei cabreiro. Quando saiu o trailer, o receio parecia real. Hoje, tendo assistido ao longa “Until Dawn – Noite de Terror“, fiquem com as minhas impressões abaixo…

Antes, vamos ao enredo. Uma garota viaja acompanhada com seus amigos a procura de pistas de sua irmã desaparecida um ano atrás. A busca os leva para uma casa no meio do nada que esconde um segredo mortal: todas as noites algo tenebroso ronda o local e o objetivo é sobreviver até o amanhecer, sendo que a morte não significa o fim. Uma vez tendo falhado, você volta pouco antes do anoitecer para uma nova rodada de terror com novas ameaças, repetindo o ciclo até conseguir derrotar as criaturas terríveis ou se tornar parte da escuridão.
Olha, eu nunca imaginei uma adaptação direta do game porque por mais que tenha gostado no fim é uma história básica… Um slasher com todos os clichês possíveis com o diferencial da possibilidade de moldar a história. A adaptação me pareceu ser um roteiro que já estava pronto e os roteiristas e diretor só incluíram alguns detalhes visuais do jogo pra justificar o título como um desses filmes com loop de tempo.

Nunca reclamei de elenco de slashers… Geralmente são atores fracos mesmo e em início de carreira, mas aqui eles meteram o louco e escalaram atores tão ruins, mas tão ruins que não conseguem nem o básico. Sério, fiquei impressionado com a mediocridade desses personagens mesmo sendo rascunho de pessoas e sendo estereótipos ambulantes.
A trama segue fraca servindo uma colcha de retalhos de vários estilos, mas nenhum deles realmente dignos de nota. “Until Dawn” tem, obviamente, jumpscares tão cretinos que até eu que levo susto com minha sombra não fui afetado. O real chamariz é o gore e o filme de fato justifica sua classificação 18 anos. O sangue, vísceras e partes de corpos explodem com gosto pra cima da tela.

Esse filme faz parte de uma iniciativa da PlayStation em expandir suas franquias para outras mídias. Na Tv e no streaming, por exemplo, a série “The Last Of Us” está sendo um sucesso total, mas no cinema, a empresa de games ainda não encontrou algo pra chamar de hit. Basta ainda lembrar do fraco “Uncharted: Fora do Mapa” (2023).
Mas bem, sinceramente esperem “Until Dawn – Noite de Terror” em algum serviço de streaming porque no cinema não dá pra recomendar.
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Alexandre Aja, diretor deste “Não Solte!” (Never Let Go), tem uma trajetória, no mínimo irregular. Após ter se destacado com “Alta Tensão“, exemplar do New French Extremity, ele foi pra Hollywood e assumiu coisas como o remake de “Viagem Maldita” e “Piranha“, mas fez obras originais como “Predadores Assassinos“. Entretanto, no caso do novo filme que está chegando aos cinemas, a assinatura de Aja está apenas nos créditos, porque aparentemente não tem nada nele que remeta ao que ele é capaz de fazer com gore e ultra violência.

Se ignorar esse aspecto e quem o dirige, ainda assim, poderemos perceber que “Não Solte!” tem uma história confusa e, bem, pouco amarrada (com o perdão do trocadilho). Sem muitas explicações além de divagações narradas por duas crianças, o filme apresenta uma família em uma velha casa de madeira no meio do mato. A mãe de dois garotos é Halle Berry que os protege do Mal que está a espreita na floresta e em qualquer lugar fora de seu lar.
Diante de alucinações, flashbacks e cenas de susto gratuito, ficamos sabendo que a única forma segura de sair da casa para caçar, pegar alimentos e passear com o cachorro é andar amarrado a uma corda que está presa às fundações da casa. Isso tudo porque eles vivem em um mundo pós-apocalíptico onde o Mal pode lhes alcançar se não estiverem junto da corda e não rezarem e pagarem penitência após voltar.

E para garantir que o medo que a Momma tem é real, desde o começo compartilhamos das visões que ela tem a respeito das criaturas mortas que a perseguem assim que ela pisa o pé fora do seu lar. É por isso que ela superprotege os garotos e zela por eles desde a hora que acorda até quando vão dormir.
Desta forma podemos presumir que em termos metafóricos, a corda com centenas de metros de comprimento é como se fosse um longo cordão umbilical que faz com que as crianças não se afastem da mãe e do conforto da família. Sendo que quando um dos meninos começa a questionar a privação de liberdade, os perigos começam a ficar mais evidentes.

O problema todo é que tem mandinga e reza demais para pouca história. A maior parte das cenas se resume a ver a família dentro da casa ou saindo para andar na floresta caçar esquilos, coelhos ou grilos. Nessas idas e vindas até rola um paralelo com o contexto inicial de “Maria e João” mostrando que também estão numa terra escassa e sem alimentos. E para manter a nossa atenção, Aja insere um vulto, um susto aqui e ali e uns pesadelos que mostram o que ocorre com meninos teimosos quando se soltam da corda de alguma forma.
Por fim, digo-lhes que é preciso ser muito crédulo (ops!) para achar que apenas isso aí seria suficiente para assombrar as plateias. Ok, no final do segundo ato, acontece algo chocante e inesperado, mas a partir daí acredito que muita gente já tenha largado a mão de “Não Solte!”.
Título Original: Never Let Go
Direção: Alexandre Aja
Elenco: Halle Berry, Percy Daggs IV e Anthony B. Jenkins
Roteiro: KC Coughlin e Ryan Grassby
Ano de lançamento: 2024
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar
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