Críticas
CRÍTICA: Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (2015)

A primeira observação a se fazer a respeito de “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” é que ele não é tão idiota quanto parece. É mais que óbvio que não passa de uma comédia que utiliza os clichês e fórmulas dos filmes de zumbis atuais para criar uma história nova focada num grupo de amigos. Mesmo bem intencionado, o filme tem falhas, mas que no fim das contas não compromete sua paciência nem agride seu cérebro.
Aliás, quando uma cena está beirando o constrangedor, parece que os produtores e roteiristas tomam noção e mudam de rumo na hora quebrando as expectativas e fugindo da vala deste tipo de comédia escrachada com elementos de horror. Se pudesse resumir bem o filme, diria que ele tenta ser uma mistura de “Superbad” com “A Volta dos Mortos Vivos“. Veja bem… TENTA SER!

Temos aqui os adolescentes em sua busca por amor e sexo (não necessariamente nesta ordem) e uma horda de zumbis que atacam a cidade após a epidemia ter sido causada por um descuido. Diante da catástrofe iminente, só o exército poderia dar um fim nisso… É nessa hora que vemos o militarismo como solução fácil para acabar com aquilo que a sociedade não dá conta, aceitando sua incapacidade de lidar com os problemas do dia a dia, sejam eles sobrenaturais ou não.
Com o caos instaurado na cidade, um pequeno grupo de escoteiros que estava prestes a acampar descobre o valor da amizade e inicia um processo rápido de amadurecimento emocional em contato com outros sobreviventes. Acidentalmente, no meio do apocalipse zumbi, uma garçonete que trabalha numa boate de strip-tease reforça o time para escapar dos mortos-vivos. Uma questão interessante é que em nenhum momento o filme os mostra como “salvadores da pátria”. Pelo contrário, o deboche com o lance do Escotismo vai desde o início do filme em um recrutamento fracassado até a forma como eles são tratados como “losers” entre os coleguinhas de escola que não querem vê-los na mesma festa.

E apesar de “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” ser feito para uma turma adolescente, há que se reconhecer que há uma ousadia em cenas que 90% dos filmes deste porte não arriscam. Com isso, tome sangue, tripas e três cenas especiais que poderiam ter sido feitas pela versão hollywoodiana de nosso Petter Baiestorf. Uma delas envolve uma tentativa frustrada de uma mordida de zumbi na bunda de um dos personagens e outra mostra até um pênis de zumbi. São momentos tão WTF que faz você repensar como esta comédia vai reagir na plateia mais jovem desacostumada a imagens mais explícitas numa produção mainstream.
No último terço do filme, um ritmo mais veloz vai se impondo e diante da contagem regressiva para a possível salvação dos personagens, os escoteiros testam suas habilidades como McGyver e começam a usar qualquer coisa como arma para se defender e atacar os infectados. O ponto fraco do filme que fica bem evidente é a tentativa de mostrar que ele se comunica com esta Geração Y através da inserção de elementos da cultura pop, aquela trilha descolada com Iggy Azalea na abertura e até mesmo aqueles momentos inapropriados para tirar selfies.

Considerando que filmes com zumbis estão na moda e não há muito como esperar grandes obras-primas neste ramo de comédia, é possível ver “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” como um passatempo divertido sem grandes expectativas. Pelo menos foi essa a minha constante observação enquanto ia vendo o filme. Mas também pode ser que estivesse com bom humor e fui me deixando levar pela besteirada toda.

Título Original: Scouts Guide To The Zombie Apocalypse
Direção: Christopher Landon
Roteiro: Carrie Evans, Emi Mochizuki, Christopher Landon e Lona Williams
Elenco: Tye Sheridan, Logan Miller, Joey Morgan e Sarah Dumont
Origem: EUA
* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no UCI Recife
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Não sei se vocês lembram, mas rolou uma tentativa fracassada de criar um Dark Universe, projeto que teria os monstros clássicos da Universal revisitados em um tipo de “monstroverso”. A estreia e abandono ocorreu após o flop de “A Múmia” (2017). Após isso, a Blumhouse assumiu o desafio de reformular esses ícones do horror com uma abordagem mais intimista, focada em narrativas mais dramáticas e pessoais, como já visto em “O Homem Invisível” (2020) e agora retomada em “Lobisomem” (2025), ambos escritos e dirigidos por Leigh Whannell.
“Lobisomem” começa nos apresentando o pequeno Blake (Zac Chandler), criança com características de TEA (Transtorno do Espectro Autista) que convive com a criação rígida e controladora de seu pai (interpretado por Sam Jaeger). Em uma caçada pelos bosques do Oregon, a dupla se depara com uma criatura humanóide peluda que por pouco não faz com que virem a caça. Após esse encontro, o pai de Blake, decide que vai caçar o monstro que os índigenas da região chamam de “cara de lobo“.

Trinta anos depois, reencontramos Blake (agora interpretado por Christopher Abbott, o Paulo Betti jovem deles), o carinhoso pai da pequena Ginger (Matilda Firth) que, assim como seu próprio pai, tenta proteger sua filha dos perigos do mundo, só que de uma forma diferente, através de diálogo e compreensão. Sua esposa Charlotte (Julia Garner) é uma jornalista que vive o dilema entre ser uma profissional de sucesso e ser uma mãe mais presente. A reinvenção do relacionamento balançado do casal surge da oportunidade de passar uns dias na antiga casa do pai de Blake, que após anos desaparecido foi oficialmente declarado morto.
No caminho para a casa, Blake joga o caminhão que dirigia para fora da estrada quando quase atropela, vejam só, uma criatura humanóide peluda que consequentemente ataca a família e fere o homem. E vocês sabem o que acontece quando uma pessoa é arranhada por uma criatura que parece um lobisomem, né?

Vale salientar que o “lore” do lobisomem como conhecemos termina aí. Nada de transformação nas noites de lua cheia e nada de bala de prata. A licantropia no filme é tratada como um tipo de doença e não uma maldição. E é tentando fugir do lobisomem exterior que o lobisomem interior de Blake começa a surgir.
Trancados na casa, ele começa a passar por mudanças sensoriais. Seu olfato e audição aumentam, sua visão se altera e a comunicação com a família começa a ficar cada vez mais difícil, fazendo com que ele entre cada vez mais “em seu mundinho”, como reclamava seu pai. Após algumas transformações físicas que remetem mais ao “A Mosca” de Cronenberg que ao “Um Lobisomem Americano em Londres“ o agora papai-lobo vai entrar em um embate com a criatura que espreita lá fora. Só resta saber se isso é para proteger sua família ou se é porque ele vê a família como comida…

Dramas familiares envolvendo licantropia não são bem uma novidade. O filme em alguns momentos inclusive me lembrou “A Maldição da Lua Cheia“, de 1973, com um final choroso tipo “O Campeão” (1979) só que com pelos. Seria o nome da filha do protagonista uma singela homenagem ao canadense “Ginger Snaps” (2000)? Outro filme que também conta com o dilema do homem-lobo tentando proteger sua família é “Lua Negra” (1996) entre muitos outros (Paul Naschy que o diga…).
Um dos maiores trunfos de “Lobisomem” está na fotografia sombria e atmosférica de Stefan Duscio, colaborador frequente de Whannell. O bom design de som intensifica cada momento da transformação de Blake reforçando o horror físico e psicológico do processo mostrado através de uma boa combinação entre efeitos práticos (Uhulll!!!) e CGI.

“Lobisomem” não apenas revive o legado dos monstros da Universal, mas também redefine como esses personagens podem ser explorados no cinema moderno. Whannell entrega uma obra que é tanto um thriller quanto um drama emocional, talvez um pouco menos que “O Homem Invisível”, mas com potencial para que outras criaturas, como Frankenstein ou o Monstro da Lagoa Negra, sejam trazidas de volta às telas.

Título original: Wolf Man
Direção: Leigh Whannell
Roteiro: Leigh Whannell e Corbett Tuck
Elenco: Christopher Abbott, Julia Garner, Matilda Firth
País de origem: EUA
BASTIDORES
TRAILER
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar
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Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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Poppunk Paracetamol
30 de janeiro de 2016 às 01:37
Eu achei o filme muito fraquinho ;-; assisti no cinema e dei duas risadas. Pra mim merecia uma Caveira