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Críticas

CRÍTICA: O Evangelista (2017)

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[Por Osvaldo Neto]

Dificilmente, o home video brasileiro deve lançar um filme de gênero norte-americano tão independente quanto O Evangelista ao longo deste ano. Com lançamento da Focus Filmes, esse thriller conta a história de um assassino em série – interpretado pelo também produtor Keith Collins – que mata as suas vítimas de acordo com o que ele acredita ter aprendido com a Bíblia. Daí o nome do longa que ainda recebeu os títulos de “Clean Cut” e “The New Jersey Ripper” para se chegar ao novo título – e claramente superior – quando ele conseguiu distribuição.

O filme de Joseph Pepitone apresenta todas as marcas do chamado ‘microbudget’. Esse é um termo que algumas pessoas erroneamente usam para obras com os seus 2 milhões de dólares de orçamento ou até mais do que isso. Um bom exemplo são os da Blumhouse que vão até para os cinemas em larga escala. Neste caso, estamos falando de filmes realizados com orçamento baixíssimo e tudo o que uma pequena produção tem em mãos e o que ela pode ter, não o que está fora do seu alcance.

É por isso que temos aqui um elenco enxuto, sem nomes conhecidos e sem a presença de um figurante sequer. São só quatro locações (uma delegacia, um consultório de psicologia e as casas de dois personagens) e um emprego econômico de efeitos práticos que são simples e básicos para um filme do estilo. Ou seja, há violência mas não espere por um ‘gore’ explícito ou algo tão elaborado. Tanto o set da delegacia quanto o do consultório não convencem muito não, mas ok… ambos cumprem com o seu propósito.

Também se coloca na balança o fato das atuações serem, em sua maioria, ruins ou irregulares com dois atores conseguindo se destacar. E eles são o já citado Keith Collins, que tem seus momentos como o assassino, e Doug Bollinger no papel de John Vance, o típico detetive cínico e veterano que investiga o caso em parceria com um novato, Edward Legros (Michael Billy).

Bollinger é a melhor coisa do filme, sempre chamando a atenção em todas as cenas que aparece como um personagem divertido, cheio de tiradas repletas de referências de cultura pop antiga e séries policiais que deixam Legros e o responsável pela legendagem (haha) um pouco perdidos. Com outro ator, Vance poderia não ter funcionado e isso seria uma tragédia.

O Evangelista se prejudica com um momento cômico que termina sendo extremamente deslocado – o autor dessa resenha sentiu uma certa vergonha alheia – e a tardia entrada em cena da psicóloga Laura Cooper (Samantha Artese), que é uma personagem importante para a narrativa. Ao menos, o longa possui um bom ritmo em sua perfeita duração de apenas 77 minutos, o que faz com que as suas virtudes se sobressaiam às falhas. A eficiente trilha do guitarrista Ron ‘Bumblefoot’ Thal (ex-Guns N’ Roses) é outra surpresa e o músico também aparece em uma participação especial. Para identificá-lo, basta reparar em um sujeito com cara e jeitão de roqueiro. É o único no filme inteiro.

Mesmo que não apresente absolutamente nada de novo para o subgênero (afinal, o que mais pode ser inventado?), O Evangelista é um filminho simpático, objetivo e sincero. Vale uma conferida, especialmente para quem curte cinema de gênero independente.

O filme está disponível em DVD e em serviços de locação virtual como o NOW e o Looke.

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2 Comments

2 Comments

  1. Vanessa

    17 de junho de 2017 at 02:43

    Me desculpem, mas pq em todo filme de terror só quem sobrevive é a garota estúpida que levou todos a morte? Especialmente ao namorado? Ah, cansei dess a mesa. Isso é tão ridículo. … Pq o menino tem que ser sacrifico para a donzela viver? Não estamos falando da porra da Disney caralho. Eu quero a droga de um menino vencer essa mer da.

  2. Vanessa

    17 de junho de 2017 at 02:47

    Além da criatura do menino morrer como um bom namorado que se sacrifica pela amada, a mera sá amada segue a mera da vida dela como se ele sequer tivesse existido. MASSA!!!@!!@

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CRÍTICA: Extermínio – O Templo dos Ossos (2026)

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Extermínio - O Templo dos Ossos

Num lançamento com poucos meses de diferença, chegamos a 2026 com “Extermínio – O Templo dos Ossos” (28 Years Later: The Bone Temple), quarto filme desta franquia. Após o duvidoso “Extermínio: A Evolução” (2025) que deu novos rumos à saga dos infectados, vamos aqui falar o que acontece depois daquela presepada.

Os eventos seguem o final do anterior, quando o garoto descobre o grupo de satanistas desajustados e percebe o quão perigosos e cruéis eles são. Nesse meio tempo, também acompanhamos os esforços do excêntrico Dr. Kelson (Ralph Fiennes), que tenta estabelecer uma conexão pacífica com o infectado brutamontes Alpha, também presente no filme anterior.

Olha, eu até aceito novas abordagens, mas esses novos filmes da série não chamaram minha atenção. Entendo que queiram fugir da repetição e dos clichês de produções neste estilo, mas o que foi apresentado de novo não funcionou para mim. Compreendi a mensagem de que o verdadeiro perigo somos nós mesmos (os humanos) e que tempos sombrios trazem à tona o pior de cada um. Mas isso nem sequer é novidade… George Romero já alertava sobre isso em seus filmes de zumbi décadas atrás.

Exceto pela figura do garoto e do médico, os demais personagens são muito fracos e desenvolvidos da pior maneira possível. Os atores que interpretam os personagens supracitados são excelentes, mas só isso não basta para salvar “Templo dos Ossos“. A gota d’água para mim foi a mudança no motivo dos ataques dos infectados: o que era cru e assustador no original tornou-se ridículo neste novo filme. Mas não vou dar spoiler… confira só se a curiosidade falar mais alto.

Templo dos Ossos” é bastante violento, mas essas cenas são vazias, porque as vítimas desses atos são meros figurantes e você simplesmente não se importa com elas. Sei que a intenção era reforçar a periculosidade do grupo de vilões, mas, mais uma vez, isso não traz novidade alguma.

E quem curte filmes de zumbi vai sair muito decepcionado, pois as aparições deles não devem durar mais do que cinco minutos no máximo. No fim, fico com os dois primeiros longas da saga e fingir que esses novos filmes nunca existiram.

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CRÍTICA: Anaconda (2025)

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Anaconda

A nostalgia é algo incrível. Lembro-me de assistir ao “Anaconda” original lá em 1997, no cinema e sozinho. Inclusive foi um dos primeiros filmes que vi sozinho. Para um menino de prédio como eu, e com uma mãe superprotetora, foi um avanço e tanto.

Lembro de ter adorado o filme e, quando saiu na locadora, aluguei tantas vezes que cheguei a decorar alguns diálogos. Anos depois, após várias sequências ruins (que vi todas!) foi anunciado esse reboot. Fui conferir com o pé atrás e olha… é ruim mesmo. Aliás, pior!

Na trama, acompanhamos um grupo de amigos adultos que têm em comum o amor pelo cinema de terror, principalmente pelo filme “Anaconda” original. Estagnados na vida, tanto financeira quanto emocionalmente, eles decidem refilmar de forma independente a obra querida, se lançando na Amazônia brasileira. Os problemas de produção são esquecidos quando a famosa cobrona se revela uma ameaça real.

Não me importei quando foi dito que seria uma sátira ao original, que, convenhamos, tirando toda a memória afetiva, é bem trash. A questão é que, mesmo tendo ideias interessantes, como os perrengues do cinema de guerrilha e o amor por isso, tudo é muito raso e esquecido rapidamente.

A parte cômica é extremamente datada, lembrando coisas do final dos anos 90 e início dos anos 2000. Os diálogos estão entre os piores que ouvi este ano, e olha que já assisti a cada bomba…

O terror foi totalmente descartado, e os ataques da cobra são muito sem graça. Ela mal aparece, e seus efeitos são dignos do início da geração do PS4. Para se ter uma ideia, a cobra original era bem mais realista. “Anaconda” está mais interessado em subtramas que não agregam nada e numa metalinguagem batida, que faria o Deadpool ter vergonha.

O elenco está tão perdido que dá até pena. Ninguém se destaca de fato, e até a participação de Selton Mello é tão over que é melhor esquecer. Finalizando: não vale a pena sair de casa para assistir a isso. Esperem sair em algum streaming.

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CRÍTICA: A Empregada (2025)

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A Empregada

Com a presença de Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, “A Empregada” (The Housemaid), filme inspirado no livro homônimo de Freida McFadden, não se esforça muito para ser um thriller que apresenta nada menos do que uma temática abordada inúmeras vezes no cinema na relação de patrões e empregados. Justiça seja feita, a história guarda boas reviravoltas e apesar da duração de mais de duas horas, a narrativa flui bem.

A trama começa quando vemos Millie (Sweeney) indo a mais uma entrevista de emprego em que se apresenta como doméstica para uma família ricaça. À primeira impressão, a garota, que tem boa aparência, possui boas qualificações profissionais e poderia estar apta a este ou outro trabalho, mas como possui antecedentes criminais não revelados e mora praticamente num carro, ela mesma não está muito animada com a possibilidade de contratação.

A patroa Nina (Seyfried), também à primeira vista, parece ser gente boa com uma filha e um marido que é símbolo do CEO moderno sempre ocupado, mas com tempo suficiente para se dedicar à família e sua mansão. É neste núcleo familiar que Millie vai lidar no dia-a-dia após ser recrutada fazendo o que pode para deixar o casarão impecável, descansando à noite no quartinho claustrofóbico que fica no sótão.

E não bastou nem um dia de trabalho para que a nova doméstica começasse a suspeitar que esta casa não era nem de longe o emprego que valesse o salário. Instável e com cobranças abusivas de serviços a fazer, Nina passa de patroa boazinha para megera em poucos segundos, escancarando ainda a hipocrisia que certas madames possuem quando estão ao lado de suas amigas ricas.

As situações vão se complicando e até mesmo cenas com forte insinuação sexual aparecem para revelar uma química entre Millie e o chefe de família Andrew (Brandon Sklenar). “A Empregada” vai levando a tensão ao limite, até que no meio do filme, rola o primeiro grande plot-twist para entendermos o contexto da história através de uma diferente perspectiva. É quando descobrimos que os segredos do passado dos personagens são bem mais comprometedores do que vimos na tela.

Até esse momento poderia ser “só” um thriller comum para ser exibido no Supercine num sábado à noite, mas o longa esconde propositalmente várias nuances e vai se revelando em camadas para chegar ao fim com sequências de tortura e vingança como forma de catarse. No fim das contas, mesmo que não escancare o fato desde o começo, o filme de Paul Feig também se mostra uma obra feminista e com apelo de sororidade.

A Empregada” expõe não só relações de poder trabalhista, mas também de classe e de gênero. Aquilo que vemos é uma representação não apenas de uma obra de ficção, mas que nos transporta para um microuniverso de dominação econômica situado praticamente só em uma casa, mas a regra é igual em todo canto: manda quem pode e obedece quem precisa do salário.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Housemaid
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine e Freida McFadden
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried e Brandon Sklenar
Ano de lançamento: 2025

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