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CRÍTICA: 12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição (2016)

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Por Júlio César Carvalho

Finalmente a trilogia da noite do expurgo se completa, mas com um título nacional diferente dos seus antecessores. Apesar de no site IMDb o nome ainda constar como “Uma Noite de Crime 3” (The Purge: Election Year), a Universal Pictures está lançando aqui como “12 Horas Para Sobreviver“. No texto, vou me referir ao filme pelo seu subtítulo: O Ano da Eleição.

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Já são 20 anos de noite do expurgo nos EUA. Agora é ano de eleição e contando com o apoio da população menos favorecida, a candidata da oposição faz campanha pelo fim da noite do expurgo. Já o governo formado pela NPFA (Novos Pais Fundadores da América), com o apoio da elite, decide acabar com esse “mimimi” e mostrar que não há elite privilegiada, decidindo que agora ninguém está livre do expurgo. Sendo assim, é estabelecido o fim da imunidade dos políticos durante essas horas. Agora a senadora da oposição não tem mais a proteção e tá lascada. Com a nova treta estabelecida, o filme agora segue a mesma estrutura do longa anterior, “Anarquia“.

Curioso que finalmente a franquia decide abordar mais abertamente a ameaça do pensamento fascista por trás da tão controversa “medida de segurança” e, logo de início, nos é apresentado o real motivo da tal noite de crimes: Matar pobres. Claro que tudo era subentendido nos anteriores. Aqui vemos os tais “Novos Pais Fundadores da América” – republicanos(?) – expondo seu ódio a todos que não sejam brancos, ricos e cristãos. Em contrapartida, temos a senadora – democrata(?) – que também é da elite branca, etc… Após passar por maus bocados em um expurgo há 18 anos, a senadora Charlie Roan tem como principal meta agora acabar com essa lei absurda.

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James DeMonaco também assina o roteiro e a direção deste terceiro filme, mas continua inseguro quanto a sua criação. Já estamos no suposto – Vai que aparece um quarto filme, né? – capítulo final da saga, e o cara ainda explica a premissa básica da tal “noite do expurgo” como se fosse novidade. Tudo bem que sempre tem alguém que não viu os anteriores e que se trata de uma produção da Blumhouse (Atividade Paranormal, Annabelle), mas que procurasse uma maneira mais enxuta pra contextualizar a situação. Após estabelecer a premissa, o diretor perde muito tempo apresentando os personagens e mesmo assim, o faz porcamente. É impossível criar empatia por personas tão superficiais e desinteressantes. Repetindo a fórmula do seu antecessor, vamos conhecendo individualmente um a um que, mais pra frente, vão formar um grupo que vai resolver as diferenças entre si e tentar sobreviver durante as 12 horas de crimes legalizados.

Frank Grillo está de volta, só que agora como guarda-costas da senadora anti-expurgo. Dessa vez como suposto protagonista, o nosso herói tem mais falas e um nome: Leo. Lembrando que no anterior era apenas creditado como “sargento”. Temos também Elizabeth Mitchell (Lost, Alta Frequência) no papel de Charlie Roan, a candidata a presidência dos EUA que defende o fim do expurgo e acaba virando alvo do governo vigente. Como personagens secundários, temos também o destemido e leal Marcos (Joseph Julian Soria), o bom rabugento Joe Dixon (Mykelti Williamson) e a interessante badass Laney Rucker (Betty Gabriel), cujo passado obscuro infelizmente não é aprofundado.

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Como se é esperado, tudo vira um verdadeiro show de horrores nas ruas. A violência é bem mais gráfica que seus antecessores e o visual da galera é extravagante e beirando o ridículo. É, exatamente, como um figurante diz no início: “o halloween dos adultos“. Cada fantasia é super bem produzida e pensada para esse dia. Tem até máscara que pisca com neon. É tudo tão estiloso que somado às tomadas dignas de videoclipes musicais, a violência e o contexto político perdem força dramática.

Se o anterior lembrava o jogo GTA, aqui, a coisa já evolui pra Twisted Metal. Dentre os diversos grupos que tocam o terror na cidade, vale destacar o de turistas europeus fantasiados de símbolos americanos, que viajaram pra os EUA especialmente pra curtir essa noitada. Sem falar da gangue das Candy Bar Girls formado por colegiais nada inocentes.

Mais uma vez o roteiro segue apenas ameaçando ser ousado. Ao mesmo tempo que tem a denúncia contra a elite que subjuga os pobres, temos o protagonismo heroico por parte de uma representante também da elite que apenas é contra o expurgo por ter sido vítima do mesmo e não por consciência social. [Por sinal, por que não uma candidata heroína negra, latina ou outra imigrante que representasse o povo subjugado no filme de fato? Medo de ser acusado de “racismo reverso” por mostrar uma elite branca do mal? Ou é só uma exceção pra fazer média?]

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Enfim… Para os demais personagens (leia-se latinos, negros e imigrantes) restam os papeis de meros coadjuvantes na causa que, apesar da produção mostrar suas boas intenções, acabam sendo retratados como terroristas radicais. Mesmo assim, o filme tenta “se desculpar” o tempo todo. Em certo momento, por exemplo, em um diálogo entre a senadora e um rapaz do povão, ela o retruca meio ofendida dizendo que nem todo político é do mal, fazendo uma autoreferência. Falta tato e jogo de cintura da parte de DeMonaco pra se tratar de um assunto tão delicado que é a luta de classes.

Mas apesar de conceitualmente raso, desajeitado, mal conduzido e espalhafatoso, “O Ano de Eleição” até que fecha bem (entre trancos e barrancos) a trilogia e pode divertir se for encarado como o que de fato é: um filme de ação genérico. O que não é novidade alguma, tendo em vista seu antecessor. Sendo justo, ao menos DeMonaco não retrata a mulher como sexo frágil e deixa sua bem intencionada crítica, mesmo que superficial e sem jeito, contra o preconceito e o perigo do armamento desenfreado nos EUA. Quem gostou dos dois longas anteriores, não vai ter o que reclamar desse último capítulo da trilogia do expurgo.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Purge: Election Year
Direção: James DeMonaco
Roteiro: James DeMonaco
Elenco: Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson
Orígem: EUA, França

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0 Comments

  1. Tutameia

    27 de outubro de 2016 at 18:44

    o erro conceitual é caracterizar tal estado de coisa apenas nos EUA..e em apenas uma noite por ano…quer saber como são as coisas por aqui? tenta registrar um BO por roubo de celular por exemplo..os policia vão rolar no chão de rir de sua inocência..e se vc for moreninho ainda leva uns cascudos pra deixar de ser besta.

  2. Rodrigo

    13 de novembro de 2019 at 15:40

    Que resenha rasa,falou falou e não disse nada

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CRÍTICA: Maldição da Múmia (2026)

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Maldição da Múmia

A múmia enquanto personagem no universo de terror surgiu há cerca de 96 anos com a obra homônima estrelada por Boris Karloff. Naquela produção, já se exploravam temas como imortalidade e ressurreição mediante sacrifícios a deuses e divindades egípcias. Com o passar do tempo, o interesse dos produtores pela temática levou à exaustão do subgênero.

Após um hiato, a ideia de uma franquia foi resgatada no final dos anos 90 sob a forma de aventura e comédia com Brendan Fraser. Dezoito anos depois e nove anos atrás, Tom Cruise protagonizou outra versão, desta vez com uma abordagem mais voltada ao horror e à ficção científica, mesclando personagens de um universo literário compartilhado, contando com o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde, por exemplo.

Essa tentativa de reboot com monstros clássicos acabou engavetada devido ao fracasso de público e crítica. Foi então que a Blumhouse assumiu a missão de revisitar esses personagens sob um novo viés.

Pelo estúdio, tivemos o excelente “O Homem Invisível”, o regular “Lobisomem” e agora, enfim, “Maldição da Múmia“, que se mostra uma obra essencialmente confusa. Quem assumiu as rédeas desta releitura foi Lee Cronin, assinando a direção e o roteiro, após ganhar notoriedade com A Morte do Demônio: A Ascensão.

Possivelmente animado com a possibilidade de fazer outro filme para a franquia de Sam Raimi, Cronin pegou uma coisa e outra de mitologia egípcia para disfarçar uma história que muito se assemelha às tramas de possessão demoníaca de Evil Dead. Confira:

– Criança frágil, porém sequelada, agindo de forma cruel e violenta com seus entes queridos ✔️
– Entidade demoníaca que se comunica com grunhidos, mas disfarça uma voz doce pra enganar as pessoas ✔️
– Professor/Arqueólogo que pega uma gravação antiga para revelar que existe um culto demoníaco ✔️
– Gore, Vômito Preto, Automutilação, Gosma e Pele Arrancada ✔️

E onde está a múmia nessa história toda? A conexão com o mito das múmias ancestrais é tênue e surge apenas no início da trama, situada no Egito. Uma família tem sua filha sequestrada. Foi dada como desaparecida e só depois de anos, descobrem que ela estava confinada em um sarcófago (!).

Nisso ae entra em ação o CSI do Cairo com uma policial/investigadora obstinada que constrasta com uma equipe médica negligente, que libera a criança “mumificada” em estado catatônico para o convívio familiar porque seria melhor para ela assim (!!). Nesse ponto, o filme descamba para uma sucessão de situações sem sentido e soluções convenientes, tornando-se um drama familiar com toques de terror.

E a culpa, logo iremos descobrir, que é de um antigo demônio egípcio que destrói lares e coloca familiares uns contra os outros. Podia ser coisa do Necronomicon, mas é só um espírito zombeteiro de cinco mil anos atrás que passa de uma pessoa a outra como num ritual que Cronin viu em “Faça Ela Voltar” e curtiu.

Sim, ele foi capaz de mesclar tudo isso num filme que remete muito pouco à mitologia das múmias. Até tem uma pirâmide subterrânea em uma casa, mas isso, assim como outras coisas, não faz sentido ou não é explicado.

Com uma duração excessiva de mais de duas horas, “Maldição da Múmia” não apresenta novidades. Nem é essa coisa toda horripilante e grotesca… até pode ser para quem não está tão acostumado a cenas mais fortes.

Mas para quem já assistiu aos filmes que o inspiraram, este novo longa soa como uma cópia simplória de fórmulas já consagradas no gênero. E nem dá para culpar o faraó pelo resultado.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Mummy
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Hayat Kamille e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovido pela Espaço Z

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CRÍTICA: Ataque Brutal (2026)

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Ataque Brutal

A Netflix ataca mais uma vez com um filme de tubarão: “Ataque Brutal” (Thrash). Anunciado meio que de surpresa no mês passado, a gigante do streaming tenta novamente emplacar um sucesso com o terror dos mares e rios. Depois de ter lançado, em 2024, “Sob as Águas do Sena“, agora ela traz o diretor do divertido “Zumbis na Neve” (2009) para comandar essa empreitada.

Vamos à história… Uma pequena cidade na costa dos EUA tem sua rotina drasticamente mudada quando um furacão de escala 5 avança em sua direção. A grande maioria dos moradores decide evacuar, mas alguns desafortunados acabam ficando e terão de lidar com algo pior que a destruição causada pelo fenômeno da natureza: famintos tubarões que aparecem nas ruas inundadas.

Logo de cara, não dá para não lembrar do bem superior “Predadores Assassinos” (2019), cuja premissa é bem similar. A diferença maior entre os longas é que o filme dos crocodilos é uma aula de tensão e horror, enquanto este exemplar com tubarões serve mais como uma paródia.

Os personagens são rasos e as situações vivenciadas por eles são bem clichês e previsíveis; não criei vínculo com nenhum. O fato de saber o destino dos protagonistas tira qualquer chance de criar tensão, além de o roteiro ser muito didático e ter alguns diálogos bem ruins.

As cenas de ataques são fracas; geralmente, as águas ficam vermelhas e as pessoas são jogadas e arrastadas de um canto a outro. Poderia ser mais gore.

Os efeitos são, no geral, aceitáveis, mas há momentos onde o fundo verde grita. Isso pode tirar a imersão de muitos, mas não tirou a minha porque já estou acostumado a cada tosquice de filme de tubarão que me sinto meio “vacinado”. “Ataque Brutal” é um filme fraco que poderia ter sido muito mais, só que, por ser bem curto, talvez entregue uma possibilidade de diversão rasteira.

Escala de tocância de terror:

Título original: Thrash
Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Tommy Wirkola
Elenco: Phoebe Dynevor, Dijimon Hounsou e outros
Ano de lançamento: 2026

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CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

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Eles Vão Te Matar

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).

Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantinemeets Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

Escala de tocância de terror:

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z

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