Críticas
CRÍTICA: Flowers (2015)

Feito na raça, e graças ao nítido empenho de todos os envolvidos, Flowers te leva numa viagem visceral que impressiona, não só pela ausência de diálogos (sim, porque ninguém aqui diz um “a” se quer), mas pelo gore e situações deploráveis em que as seis protagonistas vivenciam. Tentarei falar o menos possível sobre o enredo pra não estragar a experiência de quem ainda não assistiu.
Na trama, acompanhamos o drama de seis garotas que acordam em uma casa e percebem que estão presas por algum psicopata. O detalhe é que nenhuma sabe da existência da outra, então vamos acompanhando uma a uma, quase que simultaneamente, o caminho doloroso para uma verdade nada agradável.
As filmagens beiram o caseiro, porém com tomadas de bom gosto com uma fotografia praticamente sépia na maior parte do tempo. A maquiagem é eficiente e funciona bem com os nojentos, e eficientes, efeitos práticos. Como já foi dito, Flowers é isento de diálogos. Tudo aqui é “narrado” por uma trilha angustiante e sons perturbadores. As atuações não são lá essas coisas, mas essas atrizes realmente estão de parabéns pela coragem de encarar certas situações nas quais são submetidas. É muito amor a arte do horror. Duvido ver uma “namoradinha da América” no lugar dessas moças em um filme do tipo.
Graficamente, Flowers impressiona por ser explícito, mas em contra partida o roteiro pouco oferece para prender a atenção apenas pelo visual. Nem precisa dizer que o ritmo é super lento, e isso não é ruim, só que a escatologia apresentada a todo instante vai perdendo o impacto inicial. Apesar de curto (apenas 1h20min), fica a impressão que o filme funcionaria melhor se fosse menor ainda. O fato é que não há conteúdo relevante suficiente para se sustentar por mais de 1 (uma) hora de filme sem soar cansativo, sustentando-se assim apenas pela curiosidade mórbida do espectador de saber até onde vai aquilo tudo. Mas felizmente, o terceiro ato nos reserva fortes revelações, que apesar de óbvias, fazem valer toda experiência.
No fim das contas, Flowers é um filme cru, difícil, reflexivo e honesto. Com certeza não é um filme para o grande público. Me arrisco a falar que pode ser difícil a apreciação até mesmo para quem curte o estilo ocasionalmente, pois é preciso ser um pouco mais “engajado no movimento” para enxergar alguma beleza e/ou sentido em tudo que é mostrado.

Flowers foi exibido no Golden Rake Awards nos EUA no início desse ano, mas há vídeos dos bastidores da produção no Youtube (no canal do diretor) que datam de 2013. Ou seja, tem tempo que Phil Stevens que produz, assina o roteiro e a direção, vem trabalhando nesse trabalho de estreia e espero ver mais trabalhos desse cara pois fez “bonito”.
Veredicto: OBRIGATÓRIO PARA FÃS DE HORROR

Direção: Phil Stevens
Roteiro: Phil Stevens
Elenco: Colette Kenny McKenna, Krystle Fitch, Anastasia Blue, Tanya Erin Paoli, Kara A. Christiansen, Makaria Trapatoris
Origem: EUA
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.

“Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.
E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.
Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.
No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.
Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
Críticas
CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)
O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

“Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.
A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.
Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.
Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min
👻 A gente sabe que fantasma não paga aluguel...
...mas a gente paga! ☠️
Então ajude o Toca o Terror a continuar publicando notícias, críticas e conteúdo feito especialmente para você.
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: Tumba Aberta (2013)
-

Críticashá 6 anosCRÍTICA: February (2015)
-

Críticashá 7 anosCRÍTICA: Banana Splits – O Filme (2019)
-

Críticashá 13 anosCRÍTICA: Begotten (1991)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Homem nas Trevas (2016)
-

Dicashá 6 anosCURIOSIDADES: 13 Fatos que Você não Sabia sobre Jason e a Franquia Sexta-Feira 13
-

Críticashá 10 anosCRÍTICA: A Bruxa (2016)
-

Críticashá 5 anosCRÍTICA: O Estranho Thomas (2013)


































Luciano de Miranda
17 de abril de 2019 às 17:19
Onde encontro pra assistir? Alguma plataforma streaming? Torrent?