Críticas
CRÍTICA: Annabelle (2014)

Nada mais batido no gênero horror do que objetos amaldiçoados que acabam por detonar todo e qualquer tipo de harmonia do lugar onde ele está. O objeto em questão é “Annabelle”, a horrenda (diga-se de passagem) boneca que aparece no superestimado filme “Invocação do Mal”, de James Wan, que inclusive, é produtor desse $pin off.

O filme não empolga em nenhum momento e os poucos momentos inspirados são tão poucos, mas tão poucos, que não acrescentam valor à obra. Sem falar que a própria boneca Annabelle é tão mal aproveitada que, esquecemos de que ela é a “atriz principal” do filme. Outra coisa chatíssima no filme é o viés judaico-cristão de culpa/dor/redenção que faz com que o espectador mais perspicaz saiba exatamente o que vai acontecer.

Diante de tudo isso, chegamos à conclusão de que o filme poderia ter sido lançado diretamente em DVD. Teria sido até mais justo pro espectador e pros produtores, que, ao lançar a obra nas telonas, provaram pra quem quisesse ver que Annabelle é meramente um produto raso e desmerecedor de elogios.
Enfim, “Annabelle” consegue ser tão chato, mas tão chato, que consegue fazer com que “Invocação do Mal” pareça ser legal, coisa que não é.
Direção: John R. Leonetti
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Ward Horton, Annabelle Wallis, Alfre Woodard
Origem: EUA
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Críticas
CRÍTICA: Anaconda (2025)

A nostalgia é algo incrível. Lembro-me de assistir ao “Anaconda” original lá em 1997, no cinema e sozinho. Inclusive foi um dos primeiros filmes que vi sozinho. Para um menino de prédio como eu, e com uma mãe superprotetora, foi um avanço e tanto.
Lembro de ter adorado o filme e, quando saiu na locadora, aluguei tantas vezes que cheguei a decorar alguns diálogos. Anos depois, após várias sequências ruins (que vi todas!) foi anunciado esse reboot. Fui conferir com o pé atrás e olha… é ruim mesmo. Aliás, pior!

Na trama, acompanhamos um grupo de amigos adultos que têm em comum o amor pelo cinema de terror, principalmente pelo filme “Anaconda” original. Estagnados na vida, tanto financeira quanto emocionalmente, eles decidem refilmar de forma independente a obra querida, se lançando na Amazônia brasileira. Os problemas de produção são esquecidos quando a famosa cobrona se revela uma ameaça real.
Não me importei quando foi dito que seria uma sátira ao original, que, convenhamos, tirando toda a memória afetiva, é bem trash. A questão é que, mesmo tendo ideias interessantes, como os perrengues do cinema de guerrilha e o amor por isso, tudo é muito raso e esquecido rapidamente.

A parte cômica é extremamente datada, lembrando coisas do final dos anos 90 e início dos anos 2000. Os diálogos estão entre os piores que ouvi este ano, e olha que já assisti a cada bomba…
O terror foi totalmente descartado, e os ataques da cobra são muito sem graça. Ela mal aparece, e seus efeitos são dignos do início da geração do PS4. Para se ter uma ideia, a cobra original era bem mais realista. “Anaconda” está mais interessado em subtramas que não agregam nada e numa metalinguagem batida, que faria o Deadpool ter vergonha.

O elenco está tão perdido que dá até pena. Ninguém se destaca de fato, e até a participação de Selton Mello é tão over que é melhor esquecer. Finalizando: não vale a pena sair de casa para assistir a isso. Esperem sair em algum streaming.
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Críticas
CRÍTICA: A Empregada (2025)

Com a presença de Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, “A Empregada” (The Housemaid), filme inspirado no livro homônimo de Freida McFadden, não se esforça muito para ser um thriller que apresenta nada menos do que uma temática abordada inúmeras vezes no cinema na relação de patrões e empregados. Justiça seja feita, a história guarda boas reviravoltas e apesar da duração de mais de duas horas, a narrativa flui bem.
A trama começa quando vemos Millie (Sweeney) indo a mais uma entrevista de emprego em que se apresenta como doméstica para uma família ricaça. À primeira impressão, a garota, que tem boa aparência, possui boas qualificações profissionais e poderia estar apta a este ou outro trabalho, mas como possui antecedentes criminais não revelados e mora praticamente num carro, ela mesma não está muito animada com a possibilidade de contratação.

A patroa Nina (Seyfried), também à primeira vista, parece ser gente boa com uma filha e um marido que é símbolo do CEO moderno sempre ocupado, mas com tempo suficiente para se dedicar à família e sua mansão. É neste núcleo familiar que Millie vai lidar no dia-a-dia após ser recrutada fazendo o que pode para deixar o casarão impecável, descansando à noite no quartinho claustrofóbico que fica no sótão.
E não bastou nem um dia de trabalho para que a nova doméstica começasse a suspeitar que esta casa não era nem de longe o emprego que valesse o salário. Instável e com cobranças abusivas de serviços a fazer, Nina passa de patroa boazinha para megera em poucos segundos, escancarando ainda a hipocrisia que certas madames possuem quando estão ao lado de suas amigas ricas.

As situações vão se complicando e até mesmo cenas com forte insinuação sexual aparecem para revelar uma química entre Millie e o chefe de família Andrew (Brandon Sklenar). “A Empregada” vai levando a tensão ao limite, até que no meio do filme, rola o primeiro grande plot-twist para entendermos o contexto da história através de uma diferente perspectiva. É quando descobrimos que os segredos do passado dos personagens são bem mais comprometedores do que vimos na tela.
Até esse momento poderia ser “só” um thriller comum para ser exibido no Supercine num sábado à noite, mas o longa esconde propositalmente várias nuances e vai se revelando em camadas para chegar ao fim com sequências de tortura e vingança como forma de catarse. No fim das contas, mesmo que não escancare o fato desde o começo, o filme de Paul Feig também se mostra uma obra feminista e com apelo de sororidade.

“A Empregada” expõe não só relações de poder trabalhista, mas também de classe e de gênero. Aquilo que vemos é uma representação não apenas de uma obra de ficção, mas que nos transporta para um microuniverso de dominação econômica situado praticamente só em uma casa, mas a regra é igual em todo canto: manda quem pode e obedece quem precisa do salário.
Título original: The Housemaid
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine e Freida McFadden
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried e Brandon Sklenar
Ano de lançamento: 2025
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Críticas
CRÍTICA: Pecadores (2025)

“Se você continua a dançar com o diabo, um dia ele vai te seguir até sua casa.”
Estas são as palavras do pastor Jedidiah para o filho que volta para casa, como na parábola do filho pródigo. Cansado, machucado e arrependido, ele é a testemunha dos acontecimentos que conheceremos ao longo da história de Pecadores (Sinners).
Mississippi, 1932. Os irmãos Elias e Elijah, mais conhecidos como Fuligem e Fumaça (interpretados por Michael B. Jordan), retornam à sua cidade natal após uma temporada em Chicago, com o objetivo de abrir um juke joint (um tipo de inferninho com comida farta, bebida, jogatina e muita música) e recomeçar suas vidas. Para a inauguração do estabelecimento, os gêmeos começam a reunir sua “trupe”.
É assim que conhecemos ‘Pastorzinho’ Sammie (o cantor Miles Caton, em sua estreia), o jovem do começo do filme, primo dos gêmeos, que, apesar da pouca idade, se mostra um talentoso bluesman. O pianista Delta Slim (Delroy Lindo, fazendo jus ao sobrenome como sempre), os Chow (Yao e Helena Hu), Cornbread (Omar Miller) e Annie (Wunmi Mosaku), ex-esposa de Fumaça e sacerdotisa hoodoo, que será responsável pela cozinha do lugar (e também por explicar aos demais os acontecimentos sobrenaturais que virão). Com a chegada inesperada de Mary (Hailee Steinfeld), ex-namorada de Fuligem, o núcleo está completo.

Ryan Coogler, que dirigiu anteriormente filmes como Creed: Nascido para Lutar e os Pantera Negra, não tem pressa em chegar às vias de fato: dedica a primeira hora de Pecadores a um drama com tons ensolarados e ritmo refinado.
O foco está na construção cuidadosa de um mundo marcado pela persistente sombra da escravidão e pelas desigualdades de um Sul dos Estados Unidos em que pessoas que acordam antes do amanhecer para colher algodão recebem o pagamento em moedas de madeira ou títulos de plantação, em vez de dinheiro; presidiários acorrentados trabalham nas estradas; e a Ku Klux Klan que pode, a qualquer momento, bater à sua porta.

Nessa realidade, o blues oferece uma fuga e uma cura. A música, que permeia todo o filme, é refúgio e ponte entre o passado e o futuro. Isso é demonstrado de forma magistral em um dos momentos mais belos — e ao mesmo tempo estranhos — do filme, durante a inauguração do empreendimento dos gêmeos. Mas tanta energia positiva, gerada por aqueles que são musical ou metafisicamente talentosos, acaba atraindo seu oposto. E é aí que entra o charmoso e ameaçador Remmick.
Remmick (Jack O’Connell) bate à porta de Bert (Peter Dreimanis) e sua esposa Joan (Lola Kirke) — que logo descobrimos serem membros da KKK —, pedindo ajuda e alegando estar sendo perseguido por “terríveis indígenas”. No entanto, tudo não passa de um disfarce para conseguir ser convidado a entrar na casa deles. O convite selará seus destinos (e também mudará o ritmo da história dali em diante).

Apesar de ser o primeiro trabalho totalmente autoral de Coogler, Pecadores também confirma parcerias de longa data. O compositor Ludwig Göransson e Michael B. Jordan estão presentes em todos os filmes do diretor. O mesmo vale para a montagem de Michael P. Shawver. A direção de fotografia é de Autumn Durald Arkapaw, que também trabalhou em Pantera Negra: Wakanda para Sempre. Enfim, trata-se de um filme em que o entrosamento da equipe é notável e que Ryan conduz como um blues de Buddy Guy (que faz uma pontinha na cena entre-créditos): de vez em quando tem umas notinhas fora, mas ainda assim é uma obra-prima.

P.S.: Tem uma cena pós-créditos que quem gostou do filme, como eu, vai curtir.
P.S.2: Não vou postar teaser nem trailer pois eles têm muita revelação desnecessária. Aliás, façam como eu e não leiam mais nada além dessa resenha, nem assistam os trailers de Pecadores. Apenas vão pro cinema e assistam (no IMAX, se possível).

Título original: Sinners
Diretor: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler
Elenco: Michael B. Jordan, Miles Caton, Delroy Lindo
Origem: EUA
Ano de produção: 2024
* Filme visto em pré-estreia promovida pela Espaço Z no IMAX do UCI Recife
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rebeca
12 de outubro de 2014 at 18:28
invocação do mal nao é legal? poxa
Blog Toca o Terror
12 de outubro de 2014 at 23:46
Rimou!
Fred
11 de junho de 2016 at 10:11
Caras babacas que fazem critica aqui, só sabem falar mal, terror é isso aí, não tem como retirar esses elementos, se eles não gostam de filme de terror não comentem, vão comentar drama! BABACAS demais velho, ridiculo esse blog, queria saber qual o terror 5 estrelas pra eles???
raji
14 de outubro de 2014 at 00:51
Menino, acabei de assistir com a sala lotada e pelo que percebi a grande maioria gostou di filme.
Júlio Carvalho (@JxCxBOZO)
14 de outubro de 2014 at 10:49
Eu acredito. Por isso que vai continuar aparecendo filmes assim. 🙁
Geraldo de Fraga
16 de outubro de 2014 at 13:24
Eu imagino que seja um filme bem dirigido e com um monte de sustos. E só precisa disso mesmo para agradar o grande público.
Clinton Freitas
19 de outubro de 2014 at 11:37
Já tô curioso pra ver o filme! Gostei de invocação do mal. Mas diminuindo a expectativa, pode ser que goste.
Epifania Gangrenosa (@JxCxBOZO)
22 de outubro de 2014 at 01:13
~diminuindo a expectativa, pode ser que goste~ HAHAHAHAHAHAHAHA…
André Vale
22 de outubro de 2014 at 00:00
Invocação do Mal foi um bom filme de terror, afinal, terror é aquilo que passa a sensação de medo, agora carnificina, da medo a alguém? Só meu filho de 5 anos que não pode ver um braço partido que chora….abraços. Já que são especialistas em terror ao extremo , me passem cinco filmes de terror que merecem aplauso!
Blog Toca o Terror
22 de outubro de 2014 at 00:54
Desafio aceito, seguem cinco dicas:
* I Am a Ghost (2012)
http://blogtocaoterror.wordpress.com/2014/08/25/resenha-i-am-a-ghost-2012
* La Casa del Fin de Los Tiempos (2013)
http://blogtocaoterror.wordpress.com/2014/02/16/resenha-la-casa-del-fin-de-los-tiempos-2013
* Afflicted (2013)
http://blogtocaoterror.wordpress.com/2014/07/21/resenha-afflicted-2013/
* Bairokêshon (2013)
http://blogtocaoterror.wordpress.com/2014/08/20/resenha-bairokeshon-2013
* The Den (2014)
http://blogtocaoterror.wordpress.com/2014/07/16/resenha-the-den-2014
Max
9 de novembro de 2014 at 10:52
“The Den” é muuuuuuuuito bom. Esse sim merecia ter uma estreia em todo mundo. Ele dá susto e ainda deixa um gostinho de quero mais. Adorei a lista <3
"Afflicted" é TOP demais. Adorei tbm.
Faz uma critica ou assista um filme que se chama "Random" (2014). Ele é muito bom também. A protagonista de "Random" lembra a protagonista de "You're Next".
obrigado pela critica de Anabelle.
Renan Gomes
10 de abril de 2015 at 22:30
Bem, tirando The Den que é de 2014, e de fato é muito bom, qual outro do mesmo ano você indicaria que seja melhor do que Invocação do Mal? Ah, e sinceramente dois filmes distintos em suas tramas e propostas, nada a ver comparar. The Den é bom? É! Invocação do mal também. O filme mais competente de 2014, e que foi uma ‘megaprodução’. Nao só agradou publico, mas agradou aos fãns do horror que almejavam algo novo, mas se nao veio..ao menos foi interessante e assustador.
Blog Toca o Terror
11 de abril de 2015 at 04:21
Oi Renan, falamos dos melhores filmes de 2014 aqui: http://tocaoterror.com/2014/12/23/podcast-s03e20-retrospectiva-2014-cinema
Max
9 de novembro de 2014 at 10:48
Acredito que o filme será um sucesso de bilheteria até porque clichê e farofa vende que é uma beleza, mas o filme não acrescenta nada de novo ao gênero, não passa de uma mesmice sem fim, com uma narrativa que se arrasta por longos 90 minutos sem fim. (podiam ter cortado para 80 ou 70) e eu particularmente quase dormi no cinema de tão chato.