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RESENHA: Alien Abduction (2014)

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Por Júlio César Carvalho

ALIEN ABDUCTION é o longa de estreia do diretor Matty Beckerman e nos traz mais um filme de “câmera achada”, só que agora com ETs. Não que isso seja novidade já que temos o conhecido, e até elogiado, Contatos de 4º com a linda Milla Jovovich, o atual fraquíssimo Skinwalker Ranch (2013) e o curta Slumber Party Alien Abduction do filme V/H/S/2 (2013) que inclusive os cartazes são bem parecidos. E aproveitando a deixa, gostaria de indicar o interessantíssimo UFO Abduction (ou The McPherson Tape, 1989) produzido na raça por Dean Alioto, que cumpre bem o prometido dando a sensação de estar vendo imagens reais e que, aliás, ganhou um remake pra TV produzido e dirigido pelo próprio Alioto chamado aqui no Brasil de Estranhas Criaturas (Alien Abduction: Incident in Lake County, 1998) só que essa nova versão é fraquíssima. Mas o filme aqui em questão é outro e vamos a ele.

alien-abduction_03Acompanhamos aqui as imagens de um suposto arquivo real de um dos casos do famoso, e suposto, “Projeto Livro Azul” da Força Aérea Americana. Logo de cara nos é informado em caracteres na tela: “Projeto Livro Azul, caso 4499. Outubro de 2011: As Abduções de Brown Mountain. 27 pessoas desapareceram logo depois de centenas de testemunhas oculares afirmarem terem visto as luzes. A câmera de vídeo do autista de 11 anos, Riley Morris, foi recuperada ali perto.

São essas filmagens na íntegra que assistimos, ou pelo menos, deveríamos, mas isso comento mais na frente. Tudo se passa na região de Brown Mountain que fica na Carolina do Norte, EUA, local onde supostamente tem se avistado OVNIs e acontecido inúmeras abduções. Vemos tudo pelas lentes do pequeno Riley que filma todo o passeio pelas montanhas. Uma das melhores sequências é com certeza a do túnel onde inúmeros carros abandonados são encontrados impedindo a passagem pelo local e eles resolvem continuar a pé para ver o que está acontecendo. Aí a coisa fica feia.

O ritmo é muito bom, pois o que interessa não demora pra acontecer e quando acontece realmente impulsiona o filme. Também vale destacar o clima de tensão quando se veem encurralados pelas criaturas em uma casa no meio da floresta e algumas outras pequenas situações aqui e ali. O detalhe do autismo do garoto que filma tudo é uma boa sacada, pois isso justifica ele não se abalar com os acontecimentos e filmar até seus entes queridos sendo massacrados brutalmente sem nem tremer as mãos.

alien-abduction_01Apesar dos bons momentos, alguns fatores tiram toda fantasia de veracidade que algumas sequências poderiam ter se fossem mais bem cuidadas, como quando a sonoplastia é tão alta e nítida que parece que até que tem microfones profissionais espalhados em tudo quanto é gente ou lugar.

Há um momento, por exemplo, em que uma pessoa é filmada sendo quebrada ao meio e abduzida a vários metros de distância, mas ouve-se o estalar dos seus ossos ao serem quebrados com todo balanço de graves e agudos que tem direito, mesmo com o som ensurdecedor da nave do lado de fora. Sem contar que a câmera achada foi jogada no lixo da nave em pleno espaço (não deveria ficar girando na órbita?) pelo próprio ET, atravessa a atmosfera, resiste, cai numas pedras no mesmo local e só tem a lente trincada. E isso em apenas exatos 40 segundos. AH, VAI TOMAR NO CU!

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Lembra que eu falei que deveríamos ver apenas os registros da tal câmera? Então, é aí que os realizadores erram feio, pois não bastando a filmagem do garoto, decidem pôr um falso-documentário no início sobre histórias das “Luzes de Brown Mountain”, com trechos de relatos de estudiosos e testemunhas locais. No início até que serviu para preparar o espectador para o que está por vir, mas após o final, durante todos os créditos, os tais relatos voltam.

É como se o filme implorasse para você acreditar que aquelas imagens são reais a todo custo. Só que tanto esforço pra convencer vai por água abaixo quando durante o resto do “documentário” final, a tela passa a ficar dividia, os créditos da produção vão passando e coisas aparecem tipo: Criação da Criatura Alien, Cabelo e Maquiagem, Preparador de Dublês, Storyboard, Segundo Assistente de Câmera etc. Ainda tem mais avisos do tipo “Imagens de propriedade da Força Aérea América e blá-blá-blá“. Porra! Se a intenção dos realizadores era passar realidade, pra que caralho pôr os créditos em paralelo ao falso-documentário final? A coerência mandou abraço!

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Enfim, ALIEN ABDUCTION é um daqueles filmes que têm uma premissa muito boa, mas não decide o que quer e mesmo assim tenta soar mais sério do que realmente é. E apesar dos tropeços citados, é um bom passatempo que pode até dar uns bons sustos. Esse filme seria ótimo se começasse e terminasse apenas com as filmagens do pequeno Riley. Aí sim, quem sabe, teríamos um bom found-footage atual, mas, infelizmente, não é o caso.

Veredicto: REGULAR

Direção: Matty Beckerman
Roteiro: Robert Lewis
Elenco: Katherine Sigismund, Corey Eid, Riley Polanski
Origem: EUA

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=4zLS4lL3JDQ?rel=0&w=560&h=315]

Quer saber mais sobre essas tais ” Luzes de Brown Mountain”? Segue alguns links sobre o assunto:

Artigos: http://arquivoufo.com.br/2013/09/09/casal-atacado-por-ovni-em-brown-mountain-eua/

http://www.sobrenatural.org/materia/detalhar/8185/as_luzes_fantasmagoricas_de_brown_mountain/

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=4eIGhwYhri8?rel=0&w=560&h=315]

E sobre esse tal Blue Book Project da Força Aérea americana?

Artigos: http://www.oarquivo.com.br/index.php/ufologia/1791-o-projeto-livro-azul

http://www.ufo.com.br/noticias/arquivos-do-projeto-livro-azul-foram-reclassificados

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZcT3nqqgE_s?rel=0&w=420&h=315]

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Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

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RESENHA: O Telefone Preto (2022)

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Telefone Preto

O Telefone Preto (The Black Phone), novo horror da Universal Pictures, tem co-produção da ilustríssima Blumhouse, direção de Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade) e roteiro baseado em um conto de Joe Hill, escritor badalado, filho de ninguém menos que Stephen King. Como se não bastasse tudo isso, o vilão ainda é interpretado pelo duas vezes indicado ao Oscar, Ethan Hawke. Bom, o golpe tá aí… cai quem quer.

O filme se passa no subúrbio de North Denver, Colorado, em 1978. A vizinhança está assustada, pois crianças estão sendo raptadas na área. A polícia segue as pistas do serial killer, apelidado pela imprensa de The Grabber (Ethan Hawke), mas pouco se sabe sobre ele, apenas que dirige um furgão e usa balões pretos para encobrir seus ataques.

O tema central do O Telefone Preto é o bullying, problema enfrentado por Finney (Mason Thames), jovem de classe média baixa que é perseguido na escola, e que será a vítima do The Grabber que iremos acompanhar no decorrer do filme. A clássica história de superação dos próprios medos, materializados na figura bizarra do vilão.

Enquanto o garoto é mantido refém, sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) corre por fora para convencer as autoridades que seus dons paranormais podem ajudar na busca. Mas o sobrenatural não está presente só nesse recorte da trama. O tal telefone do título é um aparelho quebrado, que fica no cativeiro de Finney, e pelo qual ele recebe ligações das vítimas anteriores. Nas interações, os meninos assassinados tentam ajudá-lo a derrotar o psicopata.

O problema é que O Telefone Preto, em nenhum momento, nos dá qualquer indício de que todo esse enredo vai terminar fora do lugar comum. Nada sai da fórmula hollywoodiana. E com crianças como protagonistas, todos os vícios de produções recentes, como IT – A Coisa e Stranger Things, são requentados, mesmo que a fotografia de Brett Jutkiewicz deixe a obra mais sombria que a tendência atual

Nem Ethan Hawke, que parecia ser o trunfo do filme, pela sua aparência bizarra, se mostra tão ameaçador. Não é preciso mostrar tudo da vida pregressa do antagonista. Muitas vezes, a falta de informação funciona melhor para endossar o mistério sobre seus atos. Só que o roteiro o relegou ao papel de um mascarado que entra e sai de um cômodo, dizendo frases soltas, como se só isso bastasse para externar sua loucura.

Talvez no conto, Joe Hill tenha conseguido lhe dar mais personalidade, mas a trama desenvolvida por Scott Derrickson e C. Robert Cargill pena para trazer qualquer aflição ao espectador. O Telefone Preto é só mais um exemplo de terror que tenta assustar com um personagem feio, um sustinho aqui, outro ali, e uma história universal sobre superação. Recuse a chamada.

Escala de tocância de terror:

Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson e C. Robert Cargill (baseado no conto de Joe Hill)
Elenco: Mason Thames, Madeleine McGraw e Ethan Hawke
Origem: EUA

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RESENHA: Fúria (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão (chamada no Brasil de “Fúria“), dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento chamado “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena temos uma “cobra” e uma axila… Bem, basta dizer que esta cena dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que as vezes fica bem fake. Há também umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, tipo o boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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RESENHA: Eles Existem (2014)

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Por Júlio César Carvalho

Em 1999, a dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez concebeu ao mundo o icônico A Bruxa de Blair (The Witch Blair Project) que chamou a atenção por deixar muita gente com a pulga atrás da orelha se perguntando se as imagens exibidas das tais fitas VHS achadas eram reais, ressuscitando assim o estilo found-footage já existente, porém, até então não tão popularizado. 15 anos depois, Eduardo Sánchez revisita estilo que o lançou, mas seria melhor que não o tivesse feito. (mais…)

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