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CRÍTICA: Wer (2013)

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Por Geraldo de Fraga

Certas vezes, um filme de terror se torna relevante por recriar alguma figura clássica, dando a ele uma nova abordagem ou uma origem diferente. São muitos os diretores que tentaram dar um novo gás e reformular alguns personagens clássicos. Porém, para fazer um bom filme não basta só isso. Sem um roteiro consistente e atuações que cativem o espectador, apenas uma premissa interessante não segura a onda.

E foi o que aconteceu com William Brent Bell ao tentar revigorar o mito do lobisomem em Wer, filme de 2013, onde também escreveu o roteiro junto com Matthew Peterman. Ambos já haviam feito essa dobradinha em Stay Alive – Jogo Mortal (2006) e A Filha do Mal (2012).

Wer-Movie

Em Wer, acompanhamos a saga da advogada Kate Moore (A.J. Cook) que assume a defesa de Talan Gwynek (Brian Scott O’Connor) um morador do interior da França, acusado de estripar uma família de turistas ingleses que passava férias no local. Assegurado pela sua equipe investigativa de que o ataque foi na verdade provocado por um animal, ela tenta provar a inocência do seu cliente.

O filme faz uso do estilo found footage, mas a maioria das cenas foram rodadas da forma tradicional. Tecnicamente o filme não é tão fraco. Há poucas cenas de efeitos especiais, mas são bem feitas, na medida do possível, para um filme de baixo orçamento.

E na sua intenção de “reciclar” as histórias de lobisomens, William Brent Bell até que não decepciona. Sai de cena a clássica maldição, e a condição de ficar sob o domínio da lua vira algo hereditário, passado de pai para filho, em várias gerações da família Gwynek.

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O filme também acerta em não transformar a “licantropia” em uma simples doença. Há, sim, algo de sobrenatural naquele lobisomem, mas o diretor deixa subentendido. O que é legal, pois dá margem para outras interpretações. As cenas de violência também são bem feitas.

O que complica mesmo é a história ruim e os vários furos no roteiro. Primeiro, o filme demora muito a engrenar. São quase 40 minutos para alguma coisa relevante acontecer. O que é algo sem sentido para um filme que dura apenas 1h30m. Uma trama paralela sobre a morte do pai de Talan tenta dar uma profundidade maior ao argumento, mas falha.

As motivações dos protagonistas também não convencem. Impossível ter simpatia com personagens tão rasos. Além disso, quando a transformação do lobisomem se dá por completo, vem junto com ela uma ação desenfreada que transforma Wer em um longa de perseguição, deixando o mistério de lado e se concentrando em lutas e embates entre a polícia e o monstro, no melhor estilo “O Incrível Hulk”.

https://www.youtube.com/watch?v=7fx5arSbm3A

Em se tratando de um filme de lobisomem, é claro que esperamos o monstro ser caçado impiedosamente, mas as cenas parecem que saíram de uma comédia de erros. Com direito a uma cena final envolvendo a protagonista que mais parece ter sido escrita por alguém que estava com preguiça de imaginar um desfecho melhor.

Costumamos dizer nos podcasts do Toca o Terror que o lobisomem é um dos monstros mais azarados do cinema, pois são poucas as produções sobre ele que são realmente relevantes. Wer mantém essa maldição sobre a criatura da lua cheia.

Nota: 3,0

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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