Críticas
CRÍTICA: Livrai-nos do Mal (2014)
É sempre difícil escrever sobre filmes medíocres pois essas belezas sempre nos deixam com aquela sensação “empata foda” de tão frustrantes que são. Praticamente tudo em Livrai-nos do Mal é ruim, regular ou quase bom. Isso provavelmente se deve as rédeas dos grandes produtores que preferem fazer apenas o aceitável para atingir o máximo de público visando apenas o lucro. Nesse caso, Jerry Bruckheimer (franquia Piratas do Caribe, série C.S.I: NY, O Cavaleiro solitário). Entendo o lado empresarial da coisa, claro, mas isso não me impede de vir aqui fazer meu “mimimi” clichê de sempre. E sendo assim, vamos lá.

Aí somos levados a Nova Iorque e passamos a acompanhar uma dupla de policiais que investigam uma série de crimes (assassinato, espancamento etc) que a princípio não parecem ter relação entre si. Durante as investigações eles conhecem um padre latino ex-drogado que tenta convencê-los de que uma influência demoníaca é a causa de tudo e após muita relutância do tenente Sarchie, o jovem missionário passa a ajudá-los. Tudo isso baseado em fatos reais descritos em um livro pelo verdadeiro tenente Sarchie.
A intenção do já conhecido diretor Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade) não é de causar medo, mas apenas provocar sustos. Para isso, Scott constrói situações que chegam a ser uma ofensa ao clichê de tão clichês que são. Tem até descrições nas paredes feitos com sangue humano. Uau! Sem contar o uso preguiçoso (e covarde) de efeitos sonoros altíssimos que faz qualquer um saltar da poltrona mesmo se estivessem exibindo vídeos de gatinhos fofos se espreguiçando.
Tudo bem que tem umas cenas aqui e ali que se salvam, porém mais por qualidade visual do que por competência narrativa. Há elementos bem ridículos com relação aos possuídos, mas não vale detalhá-los. Para o filme ficar mais cool, uma música do The Doors passa a ser a principal pista para solucionar o caso. Isso vai agradar muita gente.
E as atuações? Eric Bana interpreta o tenente Ralph Sarchie e faz o melhor que pode dentro das óbvias limitações dele e da produção. Seu parceiro vivido por Joel McHale (série Community) serve apenas de “alívio cômico” e olhe lá. O padre Ramirez interpretado por Edgar Ramirez é muito canastrão. Mas aí tem o Sean Harris, que vive o endiabrado Santino, como uma grata surpresa.
Sempre com um olhar cabuloso, além da maquiagem, realmente nos confere uma ótima performance conseguindo passar pura maldade. Pena que sejam aparições tão breves. O esquisito é que o tinhoso da vez vem do Iraque e, além do latim e inglês, curte se expressar em espanhol. Há um exorcismo em que o padre começa a cantarolar para o demo que acaba sendo uma sequência no máximo hilária, mas como não sou demonologista, paro minhas humildes observações por aqui.

É frustrante pois a premissa é muito boa e quem sabe se tivesse sido feito de uma maneira menos comercial, poderia ter nos rendido um clássico contemporâneo do terror policial. Pra mim, a única pergunta que fica, além de “como que desperdiçam uma premissa boa dessa?“, é: Seria o ‘mal (evil)’ do título referente ao demônio ou a falta de crença cristã do protagonista?. Pois tudo ali deixa a entender que se o policial não tivesse perdido sua fé no passado (bem distante mesmo) tudo teria se resolvido sem mais rodeios. Pura pregação barata. Sem contar a última cena que me fez levar as mãos ao rosto de tanta vergonha alheia.
Veredito: ASSISTA SÓ SE NÃO TIVER ESCOLHA.
Nota: Pra quem se interessar, tem um artigo esclarecedor sobre esses fatos reais do filme. Clique -> www.assombrado.com.br.
Título original: Deliver Us From Evil
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson e Paul Harris Boardman
Elencos: Eric Bana, Édgar Ramírez, Olivia Munn
Origem: EUA
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Não sei se vocês lembram, mas rolou uma tentativa fracassada de criar um Dark Universe, projeto que teria os monstros clássicos da Universal revisitados em um tipo de “monstroverso”. A estreia e abandono ocorreu após o flop de “A Múmia” (2017). Após isso, a Blumhouse assumiu o desafio de reformular esses ícones do horror com uma abordagem mais intimista, focada em narrativas mais dramáticas e pessoais, como já visto em “O Homem Invisível” (2020) e agora retomada em “Lobisomem” (2025), ambos escritos e dirigidos por Leigh Whannell.
“Lobisomem” começa nos apresentando o pequeno Blake (Zac Chandler), criança com características de TEA (Transtorno do Espectro Autista) que convive com a criação rígida e controladora de seu pai (interpretado por Sam Jaeger). Em uma caçada pelos bosques do Oregon, a dupla se depara com uma criatura humanóide peluda que por pouco não faz com que virem a caça. Após esse encontro, o pai de Blake, decide que vai caçar o monstro que os índigenas da região chamam de “cara de lobo“.

Trinta anos depois, reencontramos Blake (agora interpretado por Christopher Abbott, o Paulo Betti jovem deles), o carinhoso pai da pequena Ginger (Matilda Firth) que, assim como seu próprio pai, tenta proteger sua filha dos perigos do mundo, só que de uma forma diferente, através de diálogo e compreensão. Sua esposa Charlotte (Julia Garner) é uma jornalista que vive o dilema entre ser uma profissional de sucesso e ser uma mãe mais presente. A reinvenção do relacionamento balançado do casal surge da oportunidade de passar uns dias na antiga casa do pai de Blake, que após anos desaparecido foi oficialmente declarado morto.
No caminho para a casa, Blake joga o caminhão que dirigia para fora da estrada quando quase atropela, vejam só, uma criatura humanóide peluda que consequentemente ataca a família e fere o homem. E vocês sabem o que acontece quando uma pessoa é arranhada por uma criatura que parece um lobisomem, né?

Vale salientar que o “lore” do lobisomem como conhecemos termina aí. Nada de transformação nas noites de lua cheia e nada de bala de prata. A licantropia no filme é tratada como um tipo de doença e não uma maldição. E é tentando fugir do lobisomem exterior que o lobisomem interior de Blake começa a surgir.
Trancados na casa, ele começa a passar por mudanças sensoriais. Seu olfato e audição aumentam, sua visão se altera e a comunicação com a família começa a ficar cada vez mais difícil, fazendo com que ele entre cada vez mais “em seu mundinho”, como reclamava seu pai. Após algumas transformações físicas que remetem mais ao “A Mosca” de Cronenberg que ao “Um Lobisomem Americano em Londres“ o agora papai-lobo vai entrar em um embate com a criatura que espreita lá fora. Só resta saber se isso é para proteger sua família ou se é porque ele vê a família como comida…

Dramas familiares envolvendo licantropia não são bem uma novidade. O filme em alguns momentos inclusive me lembrou “A Maldição da Lua Cheia“, de 1973, com um final choroso tipo “O Campeão” (1979) só que com pelos. Seria o nome da filha do protagonista uma singela homenagem ao canadense “Ginger Snaps” (2000)? Outro filme que também conta com o dilema do homem-lobo tentando proteger sua família é “Lua Negra” (1996) entre muitos outros (Paul Naschy que o diga…).
Um dos maiores trunfos de “Lobisomem” está na fotografia sombria e atmosférica de Stefan Duscio, colaborador frequente de Whannell. O bom design de som intensifica cada momento da transformação de Blake reforçando o horror físico e psicológico do processo mostrado através de uma boa combinação entre efeitos práticos (Uhulll!!!) e CGI.

“Lobisomem” não apenas revive o legado dos monstros da Universal, mas também redefine como esses personagens podem ser explorados no cinema moderno. Whannell entrega uma obra que é tanto um thriller quanto um drama emocional, talvez um pouco menos que “O Homem Invisível”, mas com potencial para que outras criaturas, como Frankenstein ou o Monstro da Lagoa Negra, sejam trazidas de volta às telas.

Título original: Wolf Man
Direção: Leigh Whannell
Roteiro: Leigh Whannell e Corbett Tuck
Elenco: Christopher Abbott, Julia Garner, Matilda Firth
País de origem: EUA
BASTIDORES
TRAILER
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark RioMar
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Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: Águas Mortais (2026)
“Águas Mortais” é mais um filme de catástrofe com tubarões, trazendo a conhecida fórmula de passageiros ilhados no oceano e predadores famintos à espreita

Filmes de tubarão parecem nunca sair de moda e estreou nesta semana (23/07/26) mais um exemplar de filme de catástrofe com os bichinhos, que tem o “maravilhoso” título de “Águas Mortais” (Deep Water).
A trama acompanha passageiros e tripulantes de um voo com destino a Xangai que se envolvem em um grave acidente quando uma carga explode e causa a queda do avião no meio do Oceano Pacífico. Os sobreviventes terão que descobrir um meio de sair de uma situação que se agrava à medida que vários tubarões famintos querem fazer deles a próxima refeição.

Vou começar deixando claro que o filme é um amontoado de clichês do cinema de catástrofe e que não foi o primeiro a usar essa premissa para inserir tubarões no meio. “Desespero Profundo” (2024) está aí para provar, mesmo sendo bastante inferior ao filme de que estamos falando. Quem já assistiu a filmes do gênero vai se sentir em casa ao esbarrar em estereótipos clássicos, como o herói com traumas, o personagem escroto e, claro, crianças em perigo.
O grande chamariz para mim foi a presença de Ben Kingsley, ator renomado e premiado que faz aqui uma participação especial nos moldes de atores famosos de filmes de catástrofe dos anos 70. O personagem não agrega muito e tem momentos bem piegas no curto tempo em tela. Outro ator famoso é Aaron Eckhart, mais conhecido pelo vilão Duas-Caras na trilogia do Batman de Christopher Nolan.

O diretor “faz-tudo” de Hollywood, Renny Harlin, realiza um trabalho competente aqui, principalmente na cena do acidente e, depois, ao apresentar a ameaça bem aos moldes de “Do Fundo do Mar” (1999) que, por sinal, ele também dirigiu e que guarda semelhanças, como os tubarões de visual PlayStation e velocidade 2.0.
Uma coisa que eu tenho que comentar é a famigerada tela verde, que aqui se faz notar a todo momento em lugares abertos. Fica nítida a artificialidade do mar aberto. Parece que os atores foram “colados” na cena de qualquer jeito, e para cair no vale da estranheza é um pulo.

“Águas Mortais” é um filme extremamente clichê, mas conseguiu me divertir em boa parte do tempo, mesmo pecando por não ser tão corajoso. Em um dia chuvoso e nessa estação invernal, é uma ótima pedida. Já para quem é rato de filme de tubarão, existe uma cena que é praticamente copia e cola de “O Último Tubarão” (L’ultimo squalo, 1981).
Título original: Deep Water
Direção: Renny Harlim
Roteiro:Pete Bridges, Shane Armstrong e S.P Kause
Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley e outros
Ano de lançamento: 2026
* Este texto foi escrito por um humano sem o uso de IA
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Gisele
27 de outubro de 2014 às 22:59
Ótimo! Nem vou perde meu tempo assistindo algo tão podre. Agradeço de coração! <3
Zé Ruela (@JxCxBOZO)
31 de outubro de 2014 às 11:30
Estamos aqui pra isso. 😀
Cris
4 de julho de 2015 às 16:50
Gisele, achei legal à beça. Interpretei quase tudo diferente da critica acima. Recomendo assistir pra conferir por você mesma. Filme é “gosto” e gosto é muito pessoal.
Anna Paula
2 de novembro de 2015 às 21:09
Podre ? Um dos melhores filmes já existidos OK ?! Serve para pessoas q não acreditam em demônio e Deus … Duvido q vc assiste esse filme podre e durma uma semana sem ter alucinações … Bjoos <3
Wendell Borges
18 de fevereiro de 2015 às 12:16
Medíocre é a palavra certa para resumir esse filme, e que vergonha usar “people are strange” do The Doors como música tema para cenas ridículas, vergonha alheia.
Cris
4 de julho de 2015 às 16:47
Gente… nunca discordei tanto de uma critica, com todo o respeito. O filme é ótimo. E bastante competente tanto em desenvolvimento do roteiro em cima de um argumento difícil, já que absolutamente tudo já foi feito sobre exorcismo. Quanto na direção firme e no protagonista, o Eric Bana, carismático, bonito – já que o Sarchie da vida real também é um homem bonito – passando a densidade emocional necessária.
Não gostei muito apenas das cenas de alivio cômico com o parceiro, mas nada que comprometa o bom andamento e a tensão e suspense do filme. Excelente, super recomendo.
Ju
14 de janeiro de 2018 às 23:07
Filme é ótimo.. Super recomendo..difícil tentar criticar aquilo que não conhecemos..
janaina
19 de janeiro de 2018 às 16:40
eu acabei de assistir e achei horrivel. A história é péssima, ou melhor não existe, não explica nada…da onde vem, com qual proposito, e tal. Péssimo.