Dicas
FILME: Chopping Mall (1986)

Por Osvaldo Neto
Dono de uma das mais famosas taglines do cinema B americano, CHOPPING MALL fez Jim Wynorski alguém a ser notado pelos fãs do estilo. Nada mal para um segundo longa, realizado logo após sua estréia em O IMPÉRIO PERDIDO. Um dos maiores responsáveis pelo fato da produção continuar sendo tão lembrada entre os fãs do estilo é a narrativa despojada e bem humorada que se tornaria marca registrada do diretor, com queijorama em doses cavalares. Essa tendência só iria aumentar e atingir níveis absurdos em vários de seus futuros filmes, embora tenham sido poucas as vezes que Wynorski beirou à perfeição como nesta delícia de slasher oitentista com robôs assassinos. É isso mesmo, robôs!

Antes de chegarmos ao filme em si, por quê não falar um pouco dos bastidores? Jim Wynorski trabalhava no departamento de marketing da Concorde, mas não demorou muito para que Roger Corman notasse a sua desenvoltura e lhe desse mais oportunidades. De uma hora para outra, ele passou a ser creditado nos roteiros de SORCERESS (dirigido em 1982 por Jack Hill, sob o pseudônimo de Brian Stuart), SCREWBALLS e FORBIDDEN WORLD até chegar o dia em que uma distribuidora encomendou um slasher cujo principal cenário fosse um shopping center. Corman procurou o seu mais novo pupilo e disse que se ele chegasse em alguns dias com algo bom, o filme seria dirigido por ele. Em dois dias, Jim entregou o primeiro tratamento de CHOPPING MALL. O resto é história.
Como todo realizador do meio que se preze, Jim Wynorski aproveitou ao máximo os recursos disponíveis e os cenários limitados do shopping para contar a história de um grupo de jovens bobocas que serão perseguidos por três robôs assassinos, que matam com tiros de raio laser. É de Wynorski, inclusive, a voz dos robôs que sempre dizem “Obrigado! Tenha um bom dia!” após executarem as suas vítimas. Sensacional. A visível curtição da equipe também ajuda, inclusive com atores conscientes de que seus personagens não passam de estereótipos e se esbaldam com eles.

O elenco também conta com a musa Barbara Crampton e participações especiais de Mary Woronov, Paul Bartel, Mel Welles, um jovem Gerrit Graham e Dick Miller. CHOPPING MALL é definitivo para a carreira de Wynorski porque foi a primeira vez onde ele se viu rodeado de talentos que iriam trabalhar ao seu lado outras vezes, como os protagonistas Kelli Maroney e John Terlesky, o co-roteirista Steve Mitchell, os adoráveis Lenny Juliano, Arthur Roberts e Ace Mask que viriam a ser atores de carteirinha do diretor. Juliano aparece logo na primeira cena do filme, onde os robôs são apresentados ao espectador.
E claro, não podemos deixar de falar do quanto o trabalho de Chuck Cirino é importante para a produção, na primeira de muitas e ótimas trilhas sonoras para Wynorski. A contribuição de Cirino é um show à parte, com uma trilha que pode sim, ser datada, mas que é divertidíssima, viciante e se encaixa perfeitamente a cada cena, a cada diálogo ridículo, a cada roupa e corte de cabelo dos protagonistas… enfim, uma trilha que, assim como o longa inteiro, é muito do cinema de gênero dos anos 80 em estado puro, no que há de melhor (ou pior, para alguns). Simplesmente hilário, demente e queijudo, CHOPPING MALL é imperdível e um dos melhores cartões de visita para o cinema de Jim Wynorski.
Direção: Jim Wynorski
Roteiro: Jim Wynorski, Steve Mitchell
Elenco: Kelli Maroney, Tony O’Dell, Russell Todd
Origem: EUA
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=RLMyInUPQ2g&w=640&h=360]
* Publicado originalmente no blog Vá e Veja.
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DICA: O Mensageiro do Diabo (1955)
“O Mensageiro do Diabo” (The Night of the Hunter) é uma mistura de romance, filme policial e de terror, passado numa época penosa da vida norte-americana, a Grande Depressão ocorrida na década de 1930. Visualmente, a obra é um espetáculo à parte.

[Por Willana Almeida]*
Lançado em 1955, “O Mensageiro do Diabo” (“The Night of the Hunter”) foi um fracasso de público e crítica. Dá para entender o motivo. É um filme violento, misógino, cínico e assustador. O criminoso é um pastor, ou falso pastor (nunca fica claro), que explora a fé de suas vítimas. É também uma das maiores obras de arte que o cinema já produziu, embora isso só tenha sido reconhecido anos depois de Charles Laughton morrer, em 1962, aos 63 anos, sem nunca ter dirigido outro filme.

“O Mensageiro do Diabo” se consolidou como o grande pilar do chamado horror gótico sulista (Southern Gothic), um subgênero emaranhado em mistério, atmosfera sombria e fábulas obscuras ambientadas no sul dos Estados Unidos. A trama acompanha um falso pregador itinerante e assassino em série, interpretado de forma inesquecível por Robert Mitchum. Na cadeia, ele descobre que seu companheiro de cela guardou uma fortuna de dez mil dólares fruto de um roubo.
Após a execução do homem, o vilão parte ao encalço da família do falecido. Ele seduz a viúva, Willa (vivida por Shelley Winters), e passa a perseguir impiedosamente os dois filhos pequenos em uma caçada ao longo do rio para tomar a fortuna para si. O que começa como uma história policial transforma-se gradualmente em um conto de fadas sombrio e poético, adornado por paisagens aquáticas, florestas misteriosas e uma imanência de perigo constante.
A história é inspirada na vida de Harry Powers, um assassino serial que foi enforcado em 1932 pelo assassinato de mulheres e crianças. Galante, Powers seduzia viúvas, roubava seu dinheiro e depois as matava. Sua saga virou livro em 1953 e filme em 1955. Laughton, o grande ator que fizera fama nas décadas de 1930 e 1940 em sucessos como “Os Amores de Henrique VIII” (1933), “O Grande Motim” (1935) e “O Corcunda de Notre Dame” (1939), reuniu um time primoroso para o filme. A fotografia é de Stanley Cortez, que havia feito “Soberba” (1942), de Orson Welles, e faria “Shock Corridor” (1963) e “Naked Kiss” (1964) com Samuel Fuller.
O roteiro, com uma sensível estética refinada, é do autor e crítico de cinema James Agee, uma das maiores influências na crítica cinematográfica para nomes como Roger Ebert e Pauline Kael mas que acabou sendo finalizado pelo próprio Laughton devido a problemas de saúde de Agee. Além dos já citados Robert Mitchum e Shelley Winters, o elenco ainda conta com a lendária Lillian Gish, grande atriz do cinema mudo que viria a ter uma carreira de 75 anos em Hollywood, estreando em 1912 e encerrando em 1987.

Mas não dá para confinar “O Mensageiro do Diabo” num único escaninho. É uma mistura de conto de fadas, filme policial e de terror, passado numa época penosa da vida norte-americana, a Grande Depressão ocorrida na década de 1930. Visualmente, a obra é um espetáculo à parte. A fotografia magistral de Stanley Cortez bebe diretamente na fonte do expressionismo alemão dos anos 1920. O uso ostensivo de sombras, silhuetas marcantes e um contraste intenso entre o claro e o escuro remetem a clássicos como “Nosferatu” e “O Gabinete do Doutor Caligari”. Há uma cena em que Powell e Willa estão no quarto e a iluminação e a cenografia lembram muito o clássico alemão de Robert Wiene. Em outra, há um close de Willa deitada na cama onde remete a “A Paixão de Joana D’Arc” (1928), de Dreyer.
Tão interessante quanto buscar as referências que influenciaram “O Mensageiro do Diabo” é perceber como o filme influenciou tanta gente. Há uma cena de Harry Powell na porta da casa de Willa que é muito parecida (para não dizer idêntica) com a imagem do cartaz de “O Exorcista”, que William Friedkin faria quase 20 anos depois. O emblemático cartaz e a famosa tatuagem nos punhos de Powell com as palavras AMOR e ÓDIO transformadas na soqueira do personagem Radio Raheem no filme “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee, são referências diretas a essa masterpiece.
Impossível não imaginar David Lynch e Cronenberg passando longas noites vendo e revendo essa beleza. Martin Scorsese seguramente o usou como referência para a fotografia preto e branco de “Touro Indomável”, e outros clássicos do terror psicológico, como “Peeping Tom” (1960), de Michael Powell, parecem ter se inspirado nas imagens de Stanley Cortez.

A carolice do público e a indiferença da crítica tentaram, mas não conseguiram, fazer arrefecer o vigor dessa história forte que o tempo tratou de fazer-lhe justiça. Hoje alçado ao status de cult, “O Mensageiro do Diabo” influenciou gerações de cineastas e foi eleito pela prestigiada revista Cahiers du Cinéma numa de suas inúmeras listas como o segundo melhor filme de todos os tempos, atrás apenas de “Cidadão Kane”. Um clássico visceral que transforma a experiência do espectador e permanece eterno na memória de quem o assiste. Bizarro e inesquecível.
* Especial para o Toca o Terror
** “O Mensageiro do Diabo” está disponível no catálogo da Amazon Prime/MGM+
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Para a dica desta semana eu trago um filme aniversariante: O EXORCISTA III (Exorcist III), escrito e dirigido por Willam Peter Blatty, completa 32 aninhos neste mês de agosto.

O EXORCISTA III é adaptação do livro ESPÍRITO DO MAL / LEGIÃO (Legion, 1983) que é uma continuação direta do livro O EXORCISTA (The Exorcist, 1971). Na trama, o tenente Kinderman investiga uma série de assassinatos que trazem a assinatura do já conhecido serial killer: Gêmeos. O problema é que este assassino está morto há 15 anos. Com a ajuda do amigo padre Joseph Dyer, ambos são levados a revelações cabulosas.

Blatty exibe um domínio enorme na condução do longa. E não é de se espantar, já que é o autor de ambos os livros. Aqui, com a direção em suas mãos, ele imprime sua real visão da própria obra, mantendo um clima constante de tensão como se algo de muito pior fosse acontecer a cada cena. A fotografia do Gerry Fisher é essencial para dar o tom sombrio à trama. Até estátuas sacras dão medo aqui! Sem contar que O EXORCISTA III tem um dos sustos e jumpscares mais cabulosos e inesperados da história do cinema de horror.

Para além da competente produção, o longa conta com a carismática dupla George C. Scott e Ed Flanders, (Kinderman e Dyer respectivamente), Brad Dourif que encarna o assassino de Gêmeos nos conferindo uma performance assustadoramente brilhante e Jason Miller vivendo o sinistro “paciente X”.

É de fato um filme incrível que, para este que vos escreve, por muito tempo foi subestimado por ser o terceiro da franquia O EXORCISTA, quando na verdade deveria ter sido o segundo, já que, como dito no início, se trata da continuação direta do livro. E convenhamos que depois do que rolou em O EXORCISTA 2: O HEREGE, carregar um título desse também não ajuda. Este longa de 1990 poderia ter se chamado simplesmente LEGIÃO como no livro, mas enfim…

Em suma, O EXORCISTA III é um típico terror policial cabuloso que merece ser visto. Ficou curioso? Aproveita que este clássico cult encontra-se no catálogo do HBO Max.
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Muito antes do canal SyFy e da Asylum inventar as bizarrices mutantes de tubarões mesclados com jacarés e coisa do gênero, havia uma turma que pegou carona na fórmula de “Tubarão” e espremeu até o bagaço. Então se você estiver a fim de ver um filme deste tipo sem pensar muito, vá até o YouTube e procure por “Humanoids from the Deep“, também conhecido pelo título genérico de “Monster“.
(mais…)
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Junior
1 de setembro de 2014 às 02:44
Boa Noite. Estou aqui pois procuro um filme que passava em cinema em casa sobre um robô que matava pessoas. Ele tinha um desenho parecido com o desses robôs do chopping mall, até pensei que era esse o filme, mas não era. Andei pesquisando e não encontrei, sei que ele tinha algo a ver com vídeo-games também. Mas num modo geral ele era muito parecido com chopping mall. Se alguém lembrar de algum filme com essas características por favor comente, queria muito assistir de novo.
Junior
5 de setembro de 2014 às 11:58
Perguntei no yahoo respostas e me responderam, o nome do filme é Evolver o game da morte. Tem inteiro no youtube. Uhuuu rsrs
Micaela loreto
21 de abril de 2019 às 13:19
Esse filme é um clássico na minha infância arrancava pesadelos de todas crianças kkk