Dicas
DICA DA SEMANA: Risada Maléfica (1986)

No meio da década de 80, o publico estava bem saturado dos slashers e começou a derrocada do subgênero. Os filmes dificilmente saíam nos cinemas e quando isso acontecia, as bilheterias não eram mais as mesmas. Então alguns longas de baixo orçamento se aproveitaram do boom do mercado de homevideo e se juntaram a esta tendência, o que garantiu uma sobrevida bem sofrida aos fãs de slasher. “Risada Maléfica” (Evil Laugh, 1986) é bem o fruto dessa época com seus altos e baixos.

Na história, assim como acontece com a maioria desses produtos, tudo começa com um flashback. Numa baita mansão que servia como lar adotivo, um maluco cortou a garganta de crianças órfãs. A casa ficou fechada por uns bons 10 anos e ganhou fama de amaldiçoada pela população local.
Um belo dia, um jovem estudante de pediatria decide reviver os belos tempos do local, com a ideia de transformar o casarão num lar para crianças sem pai nem mãe. Ela chama seus amigos, todos jovens médicos para dar um jeito no espaço. Infelizmente para eles, um assassino mascarado e risonho ronda o local a fim de impedir o plano de reabertura.

“Risada Maléfica” é um surto divertidíssimo. Já tinha assistido anos atrás, mas essa revisitada foi uma delícia. Uma coisa muito óbvia é que o filme não se leva a sério em momento nenhum e sabe muito bem dos absurdos em sua trama. Ao invés de querer contornar os problemas técnicos e fazer algo sério, ele se rende ao nonsense total e é ai que o filme brilha. Algumas cenas são tão sem noção que é nítido que os atores (bem fracos, pra variar) se divertem ou ficam constrangidos por estarem participando de algo assim.
Outra coisa que me chamou a atenção foi o forte teor gay do longa. Existem muitos takes dos corpos musculosos masculinos, diálogos dúbios e uma mão boba que não engana ninguém. Procurando sobre o filme na internet, li um comentário que dizia que o filme lembrava muito um pornô dos anos 80 em sua estética. E olha que parece mesmo… acho que reuniram amigos pra gravar o longa num fim de semana e assim arriscar ganhar uns trocados.

Resumindo, “Risada Maléfica” é para assistir descontraidamente. Poderia passar fácil no saudoso “Medonho” arrancando de imediato muitas risadas da audiência. Então, se prepare para uma viagem nostálgica aos anos 80 com muitos surtos em sua curta duração. O filme não está disponível nos streamings convencionais, mas dá pra assistir aqui no Youtube.
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Para a dica desta semana eu trago um filme aniversariante: O EXORCISTA III (Exorcist III), escrito e dirigido por Willam Peter Blatty, completa 32 aninhos neste mês de agosto.

O EXORCISTA III é adaptação do livro ESPÍRITO DO MAL / LEGIÃO (Legion, 1983) que é uma continuação direta do livro O EXORCISTA (The Exorcist, 1971). Na trama, o tenente Kinderman investiga uma série de assassinatos que trazem a assinatura do já conhecido serial killer: Gêmeos. O problema é que este assassino está morto há 15 anos. Com a ajuda do amigo padre Joseph Dyer, ambos são levados a revelações cabulosas.

Blatty exibe um domínio enorme na condução do longa. E não é de se espantar, já que é o autor de ambos os livros. Aqui, com a direção em suas mãos, ele imprime sua real visão da própria obra, mantendo um clima constante de tensão como se algo de muito pior fosse acontecer a cada cena. A fotografia do Gerry Fisher é essencial para dar o tom sombrio à trama. Até estátuas sacras dão medo aqui! Sem contar que O EXORCISTA III tem um dos sustos e jumpscares mais cabulosos e inesperados da história do cinema de horror.

Para além da competente produção, o longa conta com a carismática dupla George C. Scott e Ed Flanders, (Kinderman e Dyer respectivamente), Brad Dourif que encarna o assassino de Gêmeos nos conferindo uma performance assustadoramente brilhante e Jason Miller vivendo o sinistro “paciente X”.

É de fato um filme incrível que, para este que vos escreve, por muito tempo foi subestimado por ser o terceiro da franquia O EXORCISTA, quando na verdade deveria ter sido o segundo, já que, como dito no início, se trata da continuação direta do livro. E convenhamos que depois do que rolou em O EXORCISTA 2: O HEREGE, carregar um título desse também não ajuda. Este longa de 1990 poderia ter se chamado simplesmente LEGIÃO como no livro, mas enfim…

Em suma, O EXORCISTA III é um típico terror policial cabuloso que merece ser visto. Ficou curioso? Aproveita que este clássico cult encontra-se no catálogo do HBO Max.
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Muito antes do canal SyFy e da Asylum inventar as bizarrices mutantes de tubarões mesclados com jacarés e coisa do gênero, havia uma turma que pegou carona na fórmula de “Tubarão” e espremeu até o bagaço. Então se você estiver a fim de ver um filme deste tipo sem pensar muito, vá até o YouTube e procure por “Humanoids from the Deep“, também conhecido pelo título genérico de “Monster“.
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Tem filme ruim que se revela bom. Tem superprodução que acaba sendo um fiasco. E tem “Ratos – A Noite do Terror” (Rats – Notte di terrore) que é um caso à parte. Se sacar a ficha técnica vai entender o porquê.
Produzido pela duplinha Bruno Mattei e Claudio Fragasso, esta tosqueira da sétima arte diverte e impressiona da forma que não deveria. O nobre leitor que já deve ter esboçado um sorriso ao ler o nome dos dois italianos, vai certamente se esbaldar com essa joia.
A picaretagem já começa pela autoria. Ao invés de Mattei e Fragasso, quem “assume” a direção é Vincent Dawn, um dos vários codinomes do cineasta pras obras em que ele não se orgulha tanto.

Depois da devida introdução, vamos à história… que se passa em 225 A.B. (After the Bomb) num mundo pós-apocalíptico, onde a população passou a viver no subterrâneo e gangues disputam o território da superfície enfrentando ratos. Sim! Porque ao invés das baratas que sobreviveriam à radiação nuclear, neste filme quem se aproveita do que restou do planeta são os roedores.
Considerando este contexto, não tem muito o que dizer, uma vez que assim como acontece na maioria dessas histórias, os sobreviventes vagam de um canto a outro em busca de proteção e comida. Mas o que eles não contavam é que vão encontrar ratos em quase todo canto. E essas ratazanas estão famintas e sedentas de sangue…

No entanto, não espere grandes cenas e ataques elaborados. Os ratos, sejam eles vivos ou de pelúcia, são literalmente jogados em cima dos personagens. A reação de nojo e repulsa do elenco pode até compensar a atuação um tanto medíocre, mas tudo faz parte do pacote.
E em meio às brigas de gangues rivais e roedores que mordem o rosto, a barriga e os membros das pessoas por dentro e por fora, quem sobrevive até o final do filme presencia uma cena que teria tudo para ser chocante. Teria, claro, porque nas mãos de Mattei/Fragasso, a tal cena fica tão, mas tão bizarra, que só nos resta rir e aplaudir tamanha ousadia.

“Ratos – A Noite do Terror“, obviamente não é pro bico da Netflix, mas pode ser visto e revisto tranquilamente no YouTube para seu deleite.
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