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CRÍTICA: O Beco do Pesadelo (2022)

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O beco do pesadelo

Sem exageros: o nome de Guillermo Del Toro é garantia de cinema de gênero de qualidade. O realizador mexicano é um dos poucos casos em que a sua cinefilia ardorosa (desde a infância, vale lembrar) mais ajuda do que atrapalha na condução narrativa de seus filmes.

Hoje ele ainda é alguém que consegue bons orçamentos para fazer obras que não sejam o terceiro filme de uma franquia de super-heróis. Foi assim com todos os seus longas mais recentes: PACIFIC RIM, A COLINA ESCARLATE e A FORMA DA ÁGUA e, assim como os dois últimos citados, “O BECO DO PESADELO” (Nightmare Alley) também se trata de outro ‘filme de época’.

Bradley Cooper encabeça a grandiosa produção passada nos anos 40 como o protagonista Stan Carlisle, um misterioso sujeito que acaba trabalhando como ajudante de um ‘sideshow’ itinerante onde conhece vários outros personagens, interpretados por Rooney Mara, Toni Collette, Ron Perlman, Willem Dafoe e David Strathairn.

É nesse ambiente com Zeena e Pete (Collette e Strathairn) que ele aprenderá um número poderoso com truques de mentalismo que o levará para os salões de hotéis e teatros de luxo junto a Molly (Mara). Stan vê no sucesso de suas apresentações a oportunidade de faturar muito alto enganando pessoas especialmente selecionadas dentro da elite nova-iorquina e acaba encontrando alguém para ajudá-lo nisso, a psicóloga Lilith Ritter (Cate Blanchett).

O BECO DO PESADELO é a segunda adaptação para os cinemas de um romance ‘noir’ de William Lindsay Gresham (a anterior, lançada em 1947, foi estrelada por Tyrone Power). Esta nova versão termina sendo um pouco mais longa do que deveria com suas 2h30 que nunca entediam, mas tem o seu impacto pela direção de Del Toro. As atuações do elenco estelar (ninguém no piloto automático), um bom roteiro e a excelência da fotografia e direção de arte fazem do filme algo a se ver em 2022. Outro ponto positivo é a trilha sonora a cargo de Nathan Johnson.

Mas e como o longa se sai em comparação ao de 1947? Muitíssimo bem, chegando a superá-lo em alguns momentos. Pelo fato de hoje estarmos na segunda década do século XXI, o roteiro adaptado de Del Toro e Kim Morgan consegue ser bem mais sombrio e fatalista, incluindo temas difíceis de lidar na época como aborto e o fato de tudo acontecer em meio à II Guerra Mundial. O BECO DO PESADELO possui cenas que surpreendem na carga de violência gráfica e a dispensa de um final feliz, com a história se encerrando exatamente como no livro.

No mais, é um belo de um exemplar de ótimo cinema de gênero que entra em cartaz nos nossos cinemas. O filme de Del Toro vale o ingresso, não apenas por prestar tributo ao longa original que o inspirou, mas também ao cinema em si, talvez a mais única e resistente de todas as artes das ilusões.

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CRÍTICA: Exit 8 (2026)

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Exit 8

Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.

Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.

O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.

1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.

Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.

Escala de tocância de terror:

Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão

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CRÍTICA: O Menu (2022)

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O Menu

O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).

A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.

Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.

O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.

O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA

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CRÍTICA: Corrente do Mal (2016)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)

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