Críticas
CRÍTICA: Army of the Dead – Invasão em Las Vegas (2021)

O ano é 2021 e estamos presenciando mais um lançamento de filmes com zumbis. E de tanto terem produzido obras com mortos-vivos na última década, longas como “Army of the Dead” poderiam muito bem passar batido se não fosse a assinatura de Zack Snyder e todo o marketing da Netflix.
Confesso que rolou uma saturação de minha paciência com filmes assim. Ainda mais porque estão deixando de serem obras de terror para se tornarem longas de ação, comédia, aventura ou qualquer coisa só pelo fato de terem ataques de zumbis.

E de certa forma “Army of the Dead” não vem pra inovar e nem quer trazer nada a mais pro gênero. É um desses exemplares bem produzidos e com um roteiro minimamente aceitável mas que poderia substituir estes mortos-vivos por monstros, alienígenas ou gangues, uma vez que é uma história de plano de roubo e fuga numa cidade abandonada.
Como a sinopse bem indica, existe uma fortuna de milhões de dólares guardados num cofre de um cassino em Las Vegas, que virou uma região sitiada e entregue à própria sorte. E por ser Vegas, isso por si só já desperta uma série de clichês e memes possíveis em cena. Logicamente os produtores não perderiam a chance de incluir zumbis strippers, apostadores decadentes e um deles com figurino de Elvis Presley, que tem músicas suas pontuando um ou outro momento na trilha de um jeito meio forçado.

Em 2h28min de duração, há espaço até para um drama familiar de reconciliação entre pai e filha e o cotidiano dos zumbis trogloditas e “evoluídos”. Inclusive sabendo que Zack Snyder não é afeito a sutilezas, “Army of the Dead” tem um exagero típico dos filmes de ação com explosões, tiros (muitos!), brigas (sim, tem zumbi brigando pra valer) e sangue que espirra no chão, nas paredes, no teto e na lente da câmera.
E se você se preocupa com spoilers, não tenha medo porque mesmo que eu contasse o que acontece, em meia hora de história você já teria advinhado o destino de cada um dos personagens. Isso porque assim como acontece em “Esquadrão Suicida” e “Guardiões da Galáxia“, vemos a reunião improvável de uma equipe “badass” que não se bate bem tendo que cumprir uma arriscada missão. Daí vemos os arquétipos clássicos desse tipo de roteiro com o líder, a rebelde, o egoísta, a que não quer conversa, o esperto tímido que é convocado por um talento específico e o que vacila e coloca tudo a perder na hora errada.

Para o público que se habituou a ver as dez temporadas de The Walking Dead sem reclamar, esta nova produção da Netflix não deve lhe deixar decepcionado. Mas se alguma vez debochei de “Zombi 3” de Fulci, Fragasso e Bruno Mattei, por favor me desculpem, ali ao menos rolava um humor involuntário que nenhuma das tiradinhas e piadinhas do roteiro de Snyder conseguiu se igualar.
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Zack Snyder, Shay Hatten e Joby Harold
Elenco: Dave Bautista, Ella Purnell, Matthias Schweighöfer, Tig Notaro, Omari Hardwick e outros
País de origem: EUA
Ano de lançamento: 2021
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Quase um ano depois de ser exibido na mostra Midnight Screenings do Festival de Cannes, Exit 8 (8-ban deguchi, 2025) chega aos cinemas brasileiros. O longa é uma adaptação do game de mesmo nome, lançado pela desenvolvedora independente Kotake Create, que foi um enorme sucesso viral em 2023.
Todo mundo sabe como adaptar jogos para as telonas é complicado, exemplos ruins e péssimos não faltam; e bons filmes são poucas exceções. E olhe que, na maioria das vezes, o próprio game já conta com um enredo cinematográfico para dar suporte aos realizadores. Exit 8, no entanto, não tem nada nem perto disso.

A história começa com um cidadão normal (Kazunari Ninomiya) indo para mais um dia de trabalho. No metrô, ele recebe uma ligação da namorada dando a notícia de que está grávida. Enquanto tenta achar um lugar onde o celular pegue melhor, para continuar a complicada conversa, o protagonista vai parar no que parece um corredor comum da estação.
O local, porém, tem um looping temporal e geográfico, no melhor estilo ‘Falha na Matrix’. Após tentar achar à Saída 8, que aparece indicada em uma placa, ele percebe que está andando em círculos e voltando sempre para o mesmo ponto de partida. Nosso heroi resolve então ler as instruções que estão na parede.
1 – Ele precisa passar pelo corredor e memorizar tudo que tem lá (posteres pendurados, portas, placas, armários e um sujeito esquisito que passa caminhando).
2 – Na segunda passada, se tiver tudo do mesmo jeito, é só seguir.
3 – Se tiver algo diferente (chamado aqui de anomalia), ele precisa retornar ao ponto de partida. Isso tem que ser feito oito vezes, corretamente, para achar a saída. Se ele errar alguma coisa, volta à estaca zero.

Jogar isso numa tela, caçar detalhes e pegadinhas, pode ser divertido. Assistir a alguém fazendo, nem tanto. Por isso, o roteiro tenta fazer com que simpatizemos com o protagonista, trazendo a história da paternidade de volta, de tempos em tempos, para dar uma carga dramática. O problema é que só isso não basta para nos manter interessados numa história de um personagem solitário em um cenário minimalista.
Algumas anomalias mais extravagantes chegam a empolgar pela bizarrice visual que tanto amamos no cinema japonês, porém não salvam o dia. O filme até melhora com a inserção de uma nova trama (bem imprevisível), mas ela não dura muito. Entra então uma ‘crítica social foda’ sobre a rotina e o cotidiano vazio da sociedade moderna, que outros pessoas já fizeram bem melhor.

Exit 8 foi mais longo do que deveria, assustou menos do que podia e ainda conseguiu nos colocar no meio de um dilema que deveria parecer comovente, mas acabou sendo apenas brega. Fuja desse beco sem saída.
Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kotake Create, Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Elenco: Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi e Naru Asanuma
Origem: Japão
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O mais difícil de escrever sobre O Menu (The Menu, 2022) é não fazer analogias com comida, sendo que o filme mostra que ideias ‘requentadas’ podem render um ótimo prato. Ok, passado esse primeiro momento ‘metáfora gourmet’, vamos à sinopse. Um seleto grupo de 12 pessoas viaja até a pequena ilha Hawthorn, para jantar em um restaurante de alta gastronomia, comandado pelo excêntrico chef Julian Slowik (Ralph Fiennes).
A clientela reúne críticos gastronômicos, novos milionários, velhos milionários, um ator em decadência, sua empresária e um casal comum – Tyler (Nicholas Hoult) e Margot (Anya Taylor-Joy) – que desembolsaram um valor exorbitante para provar as delícias do estabelecimento.

Enquanto ela está pouco se importando com as iguarias servidas, Tyler é um aficionado pela arte da boa mesa. Sempre que pode, ele despeja seu conhecimento sobre o tema, cita realities shows culinários que viu e reviu, e tenta, a todo custo, conseguir dar uma palavrinha com Slowik, seu ídolo.
Após uma tour pela ilha, os clientes se acomodam no salão para o banquete. Assessorado por uma equipe gigantesca, o chef começa a desfilar seu cardápio exótico, mas a apresentação de cada prato vem acompanhada de uma situação bizarra. Como era de se esperar, o grande mistério de O Menu é saber o que uniu aquele monte de pessoas desconhecidas naquele ambiente que vai sendo tomado de tensão aos poucos.
O primeiro ponto forte, que provavelmente é que vai fazer você querer vê-lo, é o elenco de ponta, encabeçado por Taylor-Joy (a dona do filme), Fiennes e Hoult. O trio é acompanhado de perto por John Leguizamo, Janet McTeer e Hong Chau (perfeita como a maitre controladora, uma das melhores personagens do longa).

Mas o longa dirigido por Mark Mylod não é apenas sobre gente em perigo. O roteiro de Seth Reiss e Will Tracy satiriza desde a futilidade dos novos ricos, a arrogância dos influenciadores, até a popularização de programas no estilo masterchef, que, por vezes, enfeitam demais o simples ato de saborear uma boa comida. Talvez, o único pecado do filme seja um certo desdém com alguns personagens, que podiam ser mais bem explorados, porém isso vai do gosto de cada um.
O que conta mesmo em “O Menu“, como dito no primeiro parágrafo, é a forma como os clichês de suspense são colocados na mesa, sem perder a mão. A teia de reviravoltas funciona no ponto e prende o freguês até a sobremesa. Bom, eu avisei que seria difícil não fazer analogias com comida, então, bon appétit.
Título original: The Menu
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss e Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes e Nicholas Hoult
Origem: EUA
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[Por Jarmeson de Lima]
De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes. (mais…)
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