Críticas
CRÍTICA: Halloween (2018)

[Por Osvaldo Neto]
HALLOWEEN faz parte de uma tendência estranha no atual cinema comercial hollywoodiano que também é observada em casos como no recente O PREDADOR (2018) e na versão de CAÇA-FANTASMAS (2016), toda estrelada por um elenco feminino. São todos exemplares de franquias estabelecidas e de sucesso comprovado que parecem existir, primeiramente, para um público que não tem nenhuma familiaridade com os filmes mais antigos. Há também uma preocupação de não se ter um número no título, indicando que esse novo longa não seja alguma sequência ou ‘prequel’.

Ou seja, a gente acaba tendo em mãos um produto que não quer parecer “velho”, feito para qualquer espectador pagar o ingresso e ver o filme sem qualquer receio de não entender alguma coisa. Mas, ainda assim, a preguiça de se pensar hoje tá tamanha que alguns desses filmes ganham vídeo bobo no YouTube com papinho de “Final Explicado” para algo que foi jogado na cara.
Este novo HALLOWEEN ignora todas as demais continuações feitas após o longa original, inclusive o Halloween 2 (1981), H20 (1998) e HALLOWEEN: RESSURREIÇÃO (2002), que também tiveram Jamie Lee Curtis retornando como Laurie Strode. Tanto que a personagem não é mais vista como a irmã de Michael Myers (vivido por dois atores: Nick Castle – que interpretou Myers em 1978 – e James Jude Courtney), algo revelado no 2º longa da franquia.

A Laurie Strode de hoje é uma senhora ‘badass’ que tem uma filha adulta (Judy Greer) e uma neta (Andi Matchak) mas vive reclusa em uma casa enorme demais para uma pessoa só cuidar (pra variar), cheia de armas e equipamentos de segurança e localizada fora do ambiente urbano de Haddonfield, onde ocorreram os assassinatos que a traumatizaram para sempre. É nessa casa onde todo mundo já está careca de saber onde se dará o embate final entre Laurie e Michael.
Esse novo HALLOWEEN também possui a curiosidade de se ter alguém como David Gordon Green na direção, um nome mais afeito a dramas independentes e de estúdio e algumas comédias com Seth Rogen, Danny McBride, Jonah Hill e James Franco. Inclusive, McBride é um dos roteiristas creditados deste longa. Green faz um bom trabalho, imprimindo um ritmo que lembra bastante o do filme original de 1978, com várias referências que farão a alegria dos fãs da franquia.
O ‘gore’ pode surpreender o espectador que esperava uma pegada mais próxima do tratamento de John Carpenter nesse aspecto. Michael Myers está de volta, tão truculento e brutal como a gente gosta. A falsa tomada contínua que mostra Myers à solta, tocando o terror (hehe) na noite de Halloween é um dos melhores momentos do filme, senão o melhor.

Mas sabem qual é o pecado maior desse novo HALLOWEEN? Não temos Laurie Strode o suficiente. Parece que hoje não é interessante comercialmente para que um filme seja inteiramente focado em uma protagonista que seja uma mulher madura, forte e corajosa. Pelo contrário, Laurie torna-se parte de um conjunto de novos personagens, alguns legais e outros francamente desinteressantes que não fazem a menor falta, seja desaparecendo da história ou depois de serem brutalmente assassinados por Michael Myers. A Laurie Strode sessentona é construída como se fosse a substituta do Dr. Loomis nessa nova história.

O novo produto da franquia pode até agradar aos fãs da velha e nova guarda do terror, mas não passa de um filme que, se é bem executado e dirigido, não passa de algo apenas correto, que não traz nada de novo ou tão relevante ao ponto de ser considerado imperdível. Serve mais como uma boa homenagem e um caça-níquel eficiente nesse Dia das Bruxas. Pelo menos, não fez feio.

Direção: David Gordon Green
Roteiro: David Gordon Green, Danny McBride e Jeff Fradley
Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Nick Castle e James Jude Courtney
Ano de lançamento: 2018
País de origem: EUA
* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar
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Críticas
CRÍTICA: Eles Vão Te Matar (2026)

Mulher chega em um prédio sinistro e se torna vítima de um complô satanista. Bem, isso aí a gente vê no cinema desde “O Bebê de Rosemary“. Mas nunca de uma forma tão “divertida” como agora em “Eles Vão Te Matar” (They Will Kill You).
Tentando se equilibrar num limite tênue entre humor, terror e ação, o longa de Kirill Sokolov leva Asia Reaves (Zazie Beetz) até o centenário Virgil, um imóvel que esconde segredos entre seus andares. E no gerenciamento de empregados, hóspedes e seguidores de satã está Lily Woodhouse (Patricia Arquette) dando as ordens.

Se você viu o trailer, vai perceber que ali estão ótimas cenas de luta e ataques de uma forma escrachada e devidamente bem coreografadas. São sequências em que Asia tem que literalmente brigar para sobreviver diante dos que querem lhe matar, conforme anuncia o título do filme. Algo como “Constantine” meets “Kill Bill“.

Montado um pouco como se fosse um videogame com várias fases em que cada andar do Virgil apresenta um novo desafio, “Eles Vão Te Matar” traz na gênese esse terror de sobrevivência com uma temática sobrenatural/diabólica regado a litros de sangue jorrando na tela. Não tem lá uma crítica social foda nem nada muito inspirador, mas funciona mais do que a continuação que fizeram para “Casamento Sangrento“, em que inventaram uma motivação que não cola.

O diretor russo consegue extrair risadas em meio a cenas grotescas e mostra como a protagonista vira a verdadeira ameaça para seus algozes, utilizando qualquer arma que esteja à mão. Essa sarcástica aventura dura menos de duas horas e mostra que é possível fazer algo assim de forma despretensiosa sem enrolar demais até chegar na catarse final.
* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: A Noiva! (2026)

Passados dois séculos, Frankenstein segue vivaço na cultura pop. Menos de seis meses depois do lançamento do filme de Guillermo del Toro, chega aos cinemas A Noiva! (The Bride!). O longa, escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal, revisita o universo de Mary Shelley em um thriller noir carregado de empoderamento feminino.
Longe das montanhas e castelos decadentes do horror gótico, a história de A Noiva! começa na glamurosa Chicago da década de 1930. Ao aprontar umas e outras em um jantar repleto de homens perigosos, a jovem Ida (Jessie Buckley) acaba assassinada pelos capangas do chefe da máfia local.

Nesse mesmo espaço de tempo, o monstro de Frankenstein (Christian Bale) chega à cidade em busca da Dra. Euphronius (Annette Bening), renomada especialista em “reanimação”. Com várias súplicas e chantagens sentimentais, Frank convence a cientista a lhe ajudar na missão de conseguir uma companhia amorosa.
Assim, Ida acaba desenterrada e trazida de volta à vida, sem memória, predestinada a subir ao altar. A noiva, porém, é fodona e não está muito disposta a ser bela, recatada e do lar. Sua não submissão, no entanto, desperta ainda mais o interesse de Frank. Infelizmente, após brigarem em um inferninho local, o casal passa a ser perseguido pela polícia e embarca numa fuga pelos EUA.
Como esperado, Maggie Gyllenhaal usa os monstros de Shelley (e seus, agora) para montar uma fábula sobre os rejeitados pela sociedade, sobretudo os do sexo feminino. Seria piegas, se não fosse pelo roteiro esperto, que não deixa nada cair no melodrama. A protagonista não quer favor de ninguém, ela quer exatamente o que lhe pertence: o protagonismo.

Com esse papel, Jessie Buckley entra de vez no panteão das atrizes de destaque da atualidade. Arrastando tudo nesta temporada de premiações, por seu trabalho em Hamnet, a irlandesa está totalmente elétrica (com o perdão do trocadilho), dos trejeitos do que seria uma morta-viva reanimada, passando pelo visual e sotaque carregado. Em pouco mais de duas horas de filme, sua personagem vai de desapegada, à amante amorosa e a líder revolucionária, sem perder a personalidade do caos em pessoa.
Ao seu lado, Christian Bale entende perfeitamente seu status de coadjuvante e entrega um Frankenstein apaixonado e porradeiro na medida certa. Outra figura secundária de destaque é a detetive Myrna Mallow (Penélope Cruz), que serve para escancarar como o machismo não persegue apenas os feios e marginalizados.

Da metalinguagem, com a própria Mary Shelley dando as caras na trama, até diversas referências a clássicos de terror, Gyllenhaal se joga de cabeça no cinema de gênero como uma fã apaixonada. Em um determinado momento, Frank e Ida entram em uma sessão que exibe um longa com Bela Lugosi e saem correndo de lá, perseguidos por uma multidão que carrega tochas. Absolute fan service!
A Noiva tem pouca presença no livro de 1818 (nem chega a ganhar vida), mas conquistou notoriedade com a figura de Elsa Lanchester, no clássico de 1935. De lá para cá, ganhou versões alternativas, como em A Prometida (1985) e Penny Dreadful (2014). Já seu visual dos Monstros da Universal inspirou personagens de algumas animações ao longo dos anos, tendo Comando das Criaturas como o exemplo mais recente.
Com Jessie Buckley, ela tem agora sua variante mais marcante depois de quase um século. Interessante esse filme chegar aos cinema quando os Epstein Files e inúmeros casos de violência contra mulheres estampam as manchetes do Brasil e do Mundo. Queremos e precisamos de uma Noiva caçadora de red pills.
NDE: Tem uma cena pós-crédito
Direção: Maggie Gyllenhaal
Roteiro: Maggie Gyllenhaal
Elenco: Jessie Buckley, Christian Bale e Penélope Cruz
Origem: EUA
* Filme assistido na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z
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Críticas
CRÍTICA: Pânico 7 (2026)

A franquia “Pânico” (Scream) está de volta para mais “aventuras” do Ghostface. Essa já longeva franquia, no entanto, não parece mais ter o mesmo fôlego depois de 30 anos e tantas sequências. Além das polêmicas, como a demissão de Melissa Barrera e a “pulada de barco” de Jenna Ortega, chega agora aos cinemas o sétimo longa deste icônico representante do slasher moderno.

A trama de “Pânico 7” acompanha Sidney Prescott e sua família, que vivem de forma pacífica numa pequena cidade. A paz é interrompida quando um novo Ghostface surge para não só ameaçar a final girl clássica, como também ter como alvo principal sua filha mais velha. A heroína precisa correr contra o tempo para desmascarar o assassino e acabar com o reino de terror do novo vilão.
Eu estava bem animado com o retorno de Neve Campbell, e o trailer indicava um embate mais pessoal e impactante. Nossa, como eu estava errado… infelizmente! O que vi em “Pânico 7” acabou sendo um filme extremamente perdido e sem razão de existir, que se escora na nostalgia como uma muleta de salvação.

O longa não chega a ser “uma bomba”, mas é o mais fraco da franquia, com toda certeza. A participação de Sidney é boa, muito por conta de sua intérprete, que dá dignidade e carisma à personagem. Acontece que o roteiro fraquinho não ajuda, trazendo personagens novos bem rasos (até para os padrões da franquia) e personagens com um legado subaproveitados.
Além disso, temos a pior cena inicial, a pior revelação do Ghostface e as piores motivações da franquia. Tudo está muito solto e sem sentido. Ainda assim, o gore é o maior da série e o Ghostface está bem brutal, mas só isso não salva o longa.

Outra coisa que me impressionou foi a ligação que o público tem com a franquia. Em algumas cenas, senti-me em um filme da Marvel: o cinema veio abaixo em uma cena específica e quando rolava alguma participação especial. Ainda assim, o resultado final desagradou o público com quem conversei.
Mesmo pra quem é fã como eu, “Pânico 7” é uma grande decepção. E é com dor que preciso dizer: Tomara que a franquia passe uns bons anos em hiato. É o melhor para todos.
Título original: Scream 7
Direção: Kevin Williamson
Roteiro: Kevin Williamson ,Guy Busick, James Vanderbilt
Elenco: Neve Campbell, Isabel May, Courtney Cox e outros
Ano de lançamento: 2026
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centoundici
17 de abril de 2019 at 21:56
Apesar dos aspectos negativos, estou muito curioso pra ver (sou fanzaço de Jamie/Laura). Vamos ver o que dá, já assisti todos da franquia menos esse.
centoundici
8 de maio de 2019 at 04:18
Acabei de assistir. Concordo 100% com a resenha acima. Mas realmente estou satisfeito com a conclusão. Apenas achei o plot twist com o psiquiatra desnecessário.
Bruno
29 de outubro de 2019 at 01:11
É melhor que sharknado? Só diz isso…ps: sharknado 2 não vale comparar pq é filmaço