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CRÍTICA: Corrente do Mal (2015)

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Corrente Do Mal

[Por Jarmeson de Lima]

De antemão, antes de começar esta resenha propriamente dita, queria parabenizar o diretor David Robert Mitchell por este filme. Neste universo do cinema de horror onde a tentação pelos clichês e tramas previsíveis é tão fácil, é cada vez mais difícil ver tramas na cinematografia ocidental com elementos originais e premissas diferentes.

Corrente do Mal(It Follows) parte do princípio que existe uma maldição por aí que cai sobre algumas pessoas e a única forma da vítima se livrar dela é passando esta maldição adiante. Uma vez com este estigma, o “ser” persegue a vítima até matar, sendo que o ritmo com que a perseguição ocorre acaba sendo até mais torturante do que o desfecho. Sabe aquela frase “Você pode fugir, mas não vai escapar“? Pois bem, a entidade do filme literalmente te segue até o fim. A busca incessante e incansável disso aí faz ainda suas vítimas ficarem paranoicas com todo mundo ao seu redor.

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Ah sim, mas de que forma as pessoas amaldiçoadas podem passar adiante a maldição? Através do sexo! Aí caberia uma infinidade de metáforas com relação à vida em sociedade, relacionamentos, doenças venéreas e tal, mas creio que não precisaria discutir algo tão óbvio assim, até porque o filme também não se aprofunda nestas questões e deixa tudo subentendido. Mesmo soando clichê, as cenas de sexo não tem nada de excitante e sim frias e mecânicas.

Uma vez que já conhecemos estas regras, logo em seguida vamos acompanhando no decorrer dos minutos o que ocorre com as vítimas dessa entidade. E apesar das regras serem explicadas assim de uma vez, não espere mais respostas fáceis sobre o que aconteceu ou o que virá acontecer. Boa parte do que acontece em “Corrente do Mal” é apenas sugerido e não exatamente revelado, tendo cenas até certo ponto econômicas, mas eficientes. A tática do “menos é mais” funciona aqui mais uma vez e ajuda ao deixar o espectador mais apreensivo sobre o desenrolar da história.

Outro ponto positivo do filme vem do estilo voyeurístico empregado na câmera e em seus zooms para nos envolver com a trama e criar um clima de tensão. Já vimos câmeras subjetivas assim várias vezes no cinema de gênero, mas o bom é que em “It Follows” você também não tem certeza do que ou quem está vendo o quê. O estilo empregado por Mitchel nos coloca no mesmo clima de incerteza e medo que seus personagens estão passando.

É claro que o longa também não é essa maravilha toda que alardearam. Se por um lado o efeito de sugestão é eficaz, as lacunas de tempo no filme também ajudam um pouco a dispersar o efeito do medo. De qualquer forma, no cinema de horror contemporâneo, “Corrente do Mal” é aquela produção acima da média e que pouco a pouco vai conquistar uma boa legião de seguidores(!) assim como foi no caso de “ The Babadook“. Não deixa de ser interessante ver como o estilo dos dois filmes se parecem na montagem e como apostam em roteiros e personagens originais. É essa dose de renovação e ousadia, mesmo com pé no freio, que o cinema de gênero está precisando.

Escala de tocância de terror:

Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist e Jake Weary
Origem: EUA

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7 Comments

7 Comments

  1. Andrezza Barbato

    5 de junho de 2015 at 09:55

    Lendo essa resenha fez até o filme parecer interessante, mas não consegui gostar tanto assim.
    O filme não é ruim, mas também não é tudo isso.
    Logo no começo ele já prende sua atenção, e desde o começo vc já sente que vai ser um filme tenso e intrigante.
    Mas ao decorrer do filme eu já comecei a achar ele muito parado e arrastado. Não tem muita ação, só fica naquela coisa da perseguição e não passa disso.
    Poderia ter se aprofundado muito mais no enredo, pois achei muito “superficial”.
    Também não gostei muito da atriz principal, achei que ela só ficava com a mesma cara o filme todo kkk
    O final também deixou a desejar.
    Não é ruim, mas não é aquela Brastemp kkkkk

    • dan

      18 de junho de 2015 at 14:05

      concordo contigo Andrezza…pela critica esperava bem mais!

    • Rafael

      28 de abril de 2016 at 10:58

      Como eu explico …… o “Ideia” do filme é MUITO interessante … mas no enredo e na execução ao meu ver peca. Tinha potencial para ser um Suspense de 1ª … não foi oque aconteceu , mas ainda assim merece ser visto !

  2. Marcus Vinicius

    13 de agosto de 2015 at 17:19

    O filme é interessante, principalmente na forma que a câmera trabalha, mas acho que faltou trabalhar um pouco mais o enredo (meio estranho o rapaz saber tanto da maldição pela forma que ele contou ter adquirido). Valeu assistir e realmente inova um pouco, mas não choca muito.

  3. Jonatas

    12 de novembro de 2015 at 01:34

    Esse filme nao da medo nem em criança

  4. Jan Scorcese

    6 de agosto de 2017 at 10:42

    Entendam a metáfora do filme e assistam novamente rs.
    ”Isso vai te seguir” (AIDS, Herpes Genital, sifilis etc)
    ”E para você escapar (do remorso/da culpa/do medo/ de ter a doeça, pq isso vai mudar sua vida para sempre*) você irá passar para outra pessoa está maldição” (Como vingança, como pessoas fazem em nossa realidade, por exemplo. Ou quando o casal adquiri a doença e decidem ficar juntos como o filme subtende)
    A metáfora geral é que você pode passar, você pode fugir, você pode se matar, você pode fazer tratamento, mas se não hover cura : ela sempre estará lá.

    Na minha opinião o filme é bom, nada mais que isso kk o terror psicológico que ele te propõe é intrigante, mas não me passou nada além de reflexões e suspense kk

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CRÍTICA: Passageiro do Mal (2026)

O trailer de “Passageiro do Mal” já avisava que vinha clichê por aí, mas a minha mente insistiu no clássico “vai que é bom”. Não era.

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Passageiro do Mal

Passageiro do Mal” (Passenger) surgiu do nada (pelo menos para mim) nos últimos meses e, mesmo achando o trailer extremamente genérico e clichê, fiquei tentado a dar uma conferida. No fundo da minha mente ecoava: “vai que é bom e você está só sendo chato”. Então, com a estreia, decidi me arriscar no cinema e tirar minhas conclusões, que veremos a seguir.

A história segue um jovem casal que decide trocar a vida em um grande centro urbano pela aventura de viver pelo campo. Só que eles encontram o terror quando viram alvos de uma entidade demoníaca que caça vidas pelas rodovias. A questão é se eles vão seguir o caminho certo ou acabar dirigindo para a morte certa.

Olha, eu até gosto de filmes ruins quando eles se assumem dessa maneira. Acho, no geral, os filmes da The Asylum divertidíssimos, mas em “Passageiro do Mal” os realizadores foram para a direção mais clichê e imbecil possível, além de se levarem a sério demais. Eu me senti de volta ao início dos anos 2000, época em que filmes de assombração como este apareciam a rodo nos cinemas.

Os protagonistas são sem sal, com pouco carisma e desenvolvimento, enquanto os coadjuvantes são folhas em branco de tão rasos. A ameaça tem um visual bem questionável e pertence àquela categoria de vilões sobrenaturais que, assim que aparecem na tela, soltam um grito “assustador”.

A direção e o roteiro estão de mãos dadas na tentativa de assustar de uma forma que virou piada há décadas. Todas as tentativas de susto são extremamente telegrafadas, e as cenas de gore com CGI ruim enterraram de vez o longa. O diretor que tinha mostrado seu talento nos longas “A Autópsia” e “A Última Viagem do Deméter“, pareceu que aqui só estava interessado no contracheque mesmo.

Um filme claramente descartável que deveria ser uma sobra de streaming, mas que jogaram no cinema para pegar besta e masoquista. Neste caso, fui os dois. Aconselho você a respeitar o seu dinheiro e fazer outra coisa com o valor do ingresso.

Escala de tocância de terror:

Título original: Passenger
Direção: André Øvredal
Roteiro: Zachary Donohue e T.W. Burgess
Elenco: Melissa Leo, Lou Llobell, Jacob Scipio e outros
Duração: 94 min

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CRÍTICA: Faces da Morte (2026)

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Faces da Morte

Uma rápida pesquisa na internet te explica o que é o Faces da Morte de 1978. Sucesso nas locadoras de vídeo nos anos 80 e 90, a fita era um documentário que prometia cenas de morte reais, algo dificílimo de acessar naquela época. No entanto, muito do que aparece na tela são encenações.

Foi apostando na ‘força’ dessa joça e na ‘memória afetiva’ dos fãs (!), que Daniel Goldhaber e Isa Mazzei escreveram o seu metalinguístico Faces da Morte (Faces of Death, 2026). O curioso é que o filme até consegue criar um bom clima de suspense e levantar questões interessantes. Mas isso só dura até a página 2.

Margot (Barbie Ferreira) trabalha como moderadora de conteúdo em uma plataforma de vídeos. Sofrendo mais do que uma prisioneira da escala 6×1, nossa heroína passa o dia assistindo a todo tipo de porcaria postada pelos usuários. Ela veta ou autoriza o que pode ir para a web.

Um belo dia, aparece em seu monitor a filmagem de uma suposta execução, que a deixa com uma pulga atrás da orelha. Margot, na dúvida, autoriza o conteúdo, achando que é um assassinato fake. Dias depois, outro vídeo nos mesmos moldes a deixa mais desconfiada ainda. É então que ela resolve investigar.

Sem cerimônias, já somos apresentados ao vilão. Arthur Spevak (Dacre Montgomery) é um serial killer/hacker/videomaker, com fixação por fama e muito fã do filme de 1978. É ele quem está postando as imagens que chegam até Margot. Seus assassinatos são reconstituições das cenas vistas no Faces da Morte original.

No começo, o roteiro traça um paralelo interessante sobre o que era tabu no passado e como a violência ficou banalizada em tempos de redes sociais. A própria Margot carrega um passado traumático, depois que uma brincadeira feita para a internet terminou em tragédia pessoal.

A investigação pelos fóruns online criam uma tensão legal também. A deep web podia ser uma parte interessante da trama, mas Daniel Goldhaber (que além de roteirista é o diretor) resolveu que sua obra deveria ser apenas um slasher.

Aí virou filme de assassino mascarado, que sequestra suas vítimas e as tortura psicologicamente, antes de sacramentar o crime. E a criatividade foi de arrasta pra cima.

O psicopata vivido por Dacre Montgomery deveria entregar um comportamento passivo-agressivo, mas o texto é ruim demais para lhe dar credibilidade. Cada frase de efeito é um deslize. Fazer o personagem dizer que está referenciando Faces da Morte porque “todo mundo ama um remake” talvez tenha sido o ápice dessa lambança.

A carismática Margot também fica com sua cota de clichês. Pela milésima vez na história do terror, temos uma protagonista na qual ninguém acredita, por causa do seu ‘passado complicado’. Para piorar, ela ainda começa a fazer burradas em prol das conveniências de roteiro.

Acabou que, assim como seu “avô” de 1978, esse novo Faces da Morte nos enganou. O antigo, porém, entrou para a história pela picaretagem. Esse aqui vai cair no esquecimento rapidinho.

Escala de tocância de terror:

Direção: Daniel Goldhaber
Roteiro: Daniel Goldhaber e Isa Mazzei
Elenco: Barbie Ferreira, Dacre Montgomery e Josie Totah
Origem: EUA

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CRÍTICA: Obsessão (2026)

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Obsessão

Obsessão” poderia ser uma comédia romântica da Geração-Z. Temos um boy desinteressante, vacilão e inseguro que vive na friendzone. Ele passa a se interessar pela colega de trabalho e pede ajuda a um de seus amigos e colegas para dominar a arte da paquera. Mas nada sai conforme o combinado.

E como falei, “Obsessão” (Obsession) poderia ser tudo isso acima, mas não é. É denso, melancólico, tenso e catastrófico como um bom filme de terror pode ser. O mais curioso é que é uma produção da Blumhouse e por isso mesmo é surpreendente. De longe parece ser a produção mais ousada que Jason Blum já apostou.

Aqui a gente revisita a maldição da ‘pata do macaco’ em formato de item colecionável de loja esotérica. O tal “One Wish Willow” concede um único desejo às pessoas em vida e por isso mesmo deveria ser usado com cautela. Mas não espere isso de Bear (Michael Johnston), que pede para que sua crush Nikki (Inde Navarrette) se apaixone perdidamente por ele.

Quem já viu a saga “Mestre dos Desejos” sabe que qualquer pedido mal formulado pode se tornar uma maldição e um pesadelo. E neste caso, o amor trazido pelo amuleto não traz paz nem felicidade ao casal. Conduzindo as cenas com uma boa dose de estranheza e esquisitice, o diretor Curry Barker mostra sem pressa a radical mudança de estilo de vida de Nikki na companhia e na ausência de Bear.

É tudo tão imprevisível nas atitudes da garota que os jumpscares acabam funcionando. Impossível até não lembrar da icônica Pearl em algumas cenas em que a pobre Nikki tenta impressionar seu namorado. Inclusive, a dose de estranheza vai aumentando conforme a duração do filme vai passando, com direito a gore e cenas ainda mais violentas, sem alívio cômico.

No fundo, “Obsessão” é mais que um filme de terror. É também um grito de alerta para relacionamentos tóxicos em que a namorada sempre é vista como “louca”. Assim como em “Acompanhante Perfeita“, temos uma boa metáfora sobre o desejo e o interesse masculino sem medir consequências a respeito do que as mulheres sentem.

Confie no hype da vez e se surpreenda. Ah, e um adendo… em seu primeiro teste como ‘scream queen’, posso afirmar sem erro que Inde Navarrette foi aprovada com todos os méritos.

Escala de tocância de terror:

Título original: Obsession
Diretor: Curry Barker
Roteiro: Curry Barker
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson e outros
Ano de lançamento: 2026

* Filme visto em Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar Recife

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